Ai, ai... Hoje eu perco meus últimos quatro leitores...
Mas vamos lá. Não tem como ignorar este assunto, todo mundo só fala nisso. Alguns meses atrás escrevi aqui que poucas coisas me chateavam mais do que o famigerado Carnaval. Uma dessas poucas coisas é justamente o Futebol. Ontem, sexta-feira, entretanto, criei coragem, acordei de madrugada e fui assistir o jogo da Alemanha contra a Sérvia (parte da ex-Iuguslávia). Decepção total.
Por causa das eleições aqui no Brasil, quase ninguém pode falar o que realmente pensa. Eu posso: o patriotismo continua sendo o último refúgio dos canalhas! Por que estou dizendo isto? Só para afirmar que torço pela Alemanha nesta Copa do Mundo de Futebol. Não, não estou torcendo pelo Brasil. Para ser sincero, nem cheguei a assistir algum jogo da Seleção Brasileira. Por que a Alemanha? Sei lá! Acho que é por eu ser descendente de alemães. Raça, a ciência já provou, não existe entre os humanos. Mas a genética continua existindo. O politicamente-correto ainda não conseguiu matar o DNA. Então torço pela Alemanha. Nenhuma surpresa, imagino. Oras, se meu vizinho, curitibano nascido aqui, torce pelo Grêmio gaúcho, outro, também curitibano de nascença, torce para o Flamengo carioca, por que eu, nascido no Brasil, tenho de torcer pela seleção brasileira?
Para ser mais sincero ainda, odeio Futebol. Odeio com todas as minhas forças! É um esporte tosco, vulgar e medíocre. Bem de terceiro mundo mesmo. Mas, já que me propus a escrever sobre, vai aqui uma análise. E esse tipo de análise, asseguro a vocês, meus leitores - nessas alturas do campeonato meus leitores devem se limitar a apenas dois bravos resistentes- vocês só encontrarão aqui, com certeza absoluta. O resto do Brasil está tomado por aquela corrente-pra-frente imbecil de sempre. A análise que faço é a seguinte: por que o brasileiro adora tanto este esporte? Porque é o único em que temos chances reais de nos destacarmos. No futebol tudo é subjetivo. As regras não são tão claras como dizem. Sempre tem um jeitinho de alterar o destino de uma partida. Qualquer juizinho espanhol pode decidir expulsar um jogador alemão e acabar com o melhor time do mundo. Gol com a mão, por exemplo, não é permitido. Pelo contrário, é uma infração. Isto se o jogador não for um ídolo como o Maradona, hoje técnico da Seleção Argentina. Maradona é considerado um "craque" justamente por ter marcado um gol com a mão numa Copa do Mundo passada.
Aliás, não é só o Brasil que se dá bem neste tipo de esporte. Todo latino-americano é fã de futebol. Temos, aqui nestes trópicos, aquela famosa "malícia" , sabemos "cavar"faltas, enganar o juiz, marcar gol com as mãos, catimbar... Enfim, somos imbatíveis na arte da malandragem. Outros povos entrariam em guerra contra quem fizesse uma insinuação destas se referindo a eles. Nós, pelo contrário, temos orgulho disso. Nossa lei maior é tirar vantagem em tudo. No futebol temos o privilégio de sermos nós mesmos, de mostrarmos ao mundo toda nossa esperteza, todo nosso jeitinho, todo nosso subdesenvolvimento. Vira-latas que somos, adoramos ser conhecidos pelo Mundo. E o Mundo adora curtir um exotismo. Existe exotismo maior do que a torcida brasileira, com suas vuvuzelas, em plena África do Sul?
O símbolo desta Copa, falando nisso, não é uma bola. É a famosa vuvuzela! Leitor - agora já definitivamente no singular - confesso a você que nunca esperei ligar a TV e me deparar com Valquírias tocando Bach, mas, convenhamos, ver aquela galera pulando e imitando som de elefantes - no coletivo. Individualmente lembram o zumbido de uma mosca- com aquelas cornetas malditas é a própria visão do Inferno! Nono círculo, como diria minha polaca. Polaca? Cadê você? Putz... perdi meu último leitor!!!
O Vampiro de Curitiba