Blog do Vamp

O Vampiro de Curitiba




___"Estado, chamo eu, o lugar onde todos, bons ou malvados, são bebedores de veneno; Estado, o lugar onde todos, bons ou malvados, perdem-se a si mesmos; Estado, o lugar onde o lento suicídio de todos chama-se... "vida"!" (F. Nietzsche)

Fim do Blog do Vamp

Este é o último post do Blog do Vamp.
A todos que de alguma forma contribuiram com o Blog, meu muitíssimo obrigado!
Foi uma honra!
Beijos e abraços!


O Vampiro de Curitiba

Eternamente Evoluir


No post anterior, inclusive em alguns comentários dos leitores, ficamos com a impressão de que percebemos que nossas respectivas vidas, nossos interesses, objetivos já não são mais os mesmos. Óbvio, estamos eternamente em constante mudança - esta, aliás, talvez seja a característica mais importante da Vida no Universo. 

Falávamos de pequenas grandes mudanças em nossa rotina individual, em nossa maneira de ver o mundo, em valorizar certos aspectos de nossa existência e deixar para trás desejos que não mais nos atraem. Enquanto analisamos nosso mundinho, cientistas estudam as grandes mudanças das espécies:

Da Veja.com:

Evolução

Mudanças evolutivas duradouras levam um milhão de anos para acontecer

Estudo mostra que o lema da evolução de longo prazo é "devagar e sempre"


Estudo: características evolutivas que perduram levam um milhão de anos para se desenvolver Estudo: características evolutivas que perduram levam um milhão de anos para se desenvolver                                     

Cientistas descobriram que embora a evolução seja um processo constante e, em alguns momentos, rápido, as mudanças que perduram demoram muito tempo para acontecer: um milhão de anos. A pesquisa ajuda a resolver um velho debate e a aparente contradição entre mudanças evolutivas de curto e longo prazo. O estudo foi publicado no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences.

Os pesquisadores da Universidade Estadual de Oregon (EUA) combinaram, pela primeira vez, dados de períodos curtos entre 10 e 100 anos com evidências de períodos mais longos, em registros fósseis de mais de 100 milhões de anos. A análise indicou que mudanças rápidas em populações localizadas nem sempre persistem. Por exemplo, o fato de os seres humanos serem entre cinco e oito centímetros mais altos do que eram 200 anos atrás não significa que o processo continuará, tornando a população 60 centímetros maior em 2.000 anos.


De acordo com Josef Uyeda, chefe da pesquisa, as mudanças rápidas são uma realidade, mas nem sempre são duradouras. Por motivos ainda desconhecidos, os dados mostram que as alterações observadas no longo prazo são bem lentas. A equipe de cientistas calculou que se leva um milhão de anos, em média, para que as grandes mudanças persistam e se acumulem ao longo das gerações. "O interessante não é que temos muita diversidade biológica e mudanças evolutivas. Pelo contrário, são muito poucas", afirmou Uyeda.

Devagar e sempre - O cientista explica que para uma mudança evolutiva persistir em uma espécie, a pressão ambiental que a dirigiu também precisa perdurar. "Não se trata apenas de uma mutação genética que toma o controle", disse Uyeda. "As adaptações evolutivas são causadas pela força da seleção natural e isso é mais lento e raro do que imaginamos".

Embora lento, o processo é implacável. A maioria das espécies muda tanto que raramente dura mais que 10 milhões de anos antes de desaparecer completamente ou dar origem a uma nova espécie. A causa exata das mudanças de longo prazo não é clara. Os pesquisadores afirmam que as mudanças climáticas não parecem ser a única força envolvida porque muitas espécies não sofreram praticamente nenhuma alteração durante períodos em que o clima se transformou dramaticamente.


O estudo é um dos primeiros a reconciliar a rápida evolução observada por biólogos em espécies contemporâneas; as mudanças lentas e estáveis observadas por paleontólogos; e as diferenças dramáticas e macroevolutivas entre os tamanhos e formas das espécies.

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O Vampiro de Curitiba

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Somente Incertezas

Acabo de chegar em casa. Um café. Um cigarro. Vou escrever algo pro Blog: escrever o quê? Sobre o quê? Pra que escrever? Pra que blog?

Não sei se vai chover ou fazer sol. Não sei se a faxina da Dilma é mesmo pra valer ou o PT vai prosseguir na sujeira. E se a "presidenta" tiver o mesmo destino do Celso Daniel? Não sei.

Mais um café. E um cigarro, óbvio. Não sei se continuo no apartamento ou vou morar numa chácara. Criar galinhas deve ser mais interessante do que criar textos. Galinhas, qualquer coisa, corto-lhes a cabeça e  meto-as numa panela. Textos? Só se cortar minha própria cabeça. Mas não tenho fome. Não de galinhas...

A Europa vai para a Direita? E os Estados Unidos? O café tá muito doce, mas o cigarro disfarça o amargo do açucar. Assim como galinhas disfarçam a solidão da página em branco...

Talvez apenas colocar um vídeo: Rolling Stones ou David Bowie? O tempo está nublado, nem chuva e nem sol...

Quase dez da manhã. As pessoas todas acordadas. Está na hora de dormir. Não, chega de perder tempo! Mas... tempo pra quê?

Agora até o café me deixa em dúvida: bebo ou não? Só mais uma dose de cafeína. E nicotina...

Vou dormir! O café me roubou o sono...

Vou curtir Rolling Stones!  






O Vampiro de Curitiba


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Felicidade, Ciência e Deus

 

Da Veja:


"Não acreditar em Deus é um atalho para a felicidade"

Em novo livro, o filósofo e neurocientista americano Sam Harris propôe a criação de uma "ciência da moralidade" para acabar de uma vez por todas com a influência da religão.

Marco Túlio Pires

Quando o filósofo americano Sam Harris soube que o atentado ao World Trade Center em Nova York (Estados Unidos), no dia 11 de setembro de 2001, teve motivações religiosas, a briga passou a ser pessoal. Harris publicou em 2004 o livro A Morte da Fé (Companhia das Letras) — uma brutal investida contra as religiões, segundo ele, responsáveis pelo sofrimento desnecessário de milhões. Para Harris, os únicos anjos que deveríamos invocar são a ‘razão’, a ‘honestidade’ e o ‘amor’.

"A Ciência é capaz de dizer o que é certo e o que é errado", diz Sam Harris
"A Ciência é capaz de dizer o que é certo
e o que é errado", diz Sam Harris

Ao entrar de cabeça em um assunto tão delicado, o filósofo de 43 anos conquistou uma legião de inimigos e deu início a uma espécie de combate literário. Em resposta à repercussão de seu primeiro livro, que levou à publicação de livros-resposta sob as perspectivas muçulmana, católica e outras, os ataques de Harris à fé religiosa continuaram em 2006, com o lançamento do livro Carta a Uma Nação Cristã (Companhia das Letras).

Criado em um lar secular, que nunca discutiu a existência de Deus e nunca criticou outras religiões, Harris recebeu o título de Doutor em Neurociência em 2009 pela Universidade da Califórnia (Estados Unidos). A pesquisa de doutorado serviu como base para seu terceiro livro, lançado em outubro de 2010: The Moral Landscape (sem edição brasileira). Nele, Harris conquista novos inimigos, dessa vez cientistas.

Agora, Harris tenta utilizar a razão e a investigação científica para resolver problemas morais, sugerindo a criação do que ele chama de "ciência da moralidade". Ele afirma que o bem-estar humano está relacionado a estados mentais mensuráveis pela neurociência e, por isso, seria possível investigar a felicidade humana sob essa ótica — algo com que a maioria dos cientistas está longe de concordar.

A ciência da moralidade substituiria a religião no papel de dizer o que é bom ou mau. Esse ‘novo ateísmo’ rendeu a Harris e outros três autores proeminentes — Daniel Dennet, Richard Dawkins e Christopher Hitchens — o título de 'Cavaleiros do Apocalipse'.

Em entrevista ao site de VEJA, Harris explica os pontos mais sensíveis de sua argumentação, e afirma que descrer de Deus é um atalho para a felicidade.

Por que a moralidade e as definições do bem e do mal não deveriam ser deixadas para a religião?


O problema com relação à Religião é que ela dissocia as questões do bem e do mal da questão do bem-estar. Por isso, a religião ignora o sofrimento em certas situações, e em outras chega a incentivá-lo. Deixe-me dar um exemplo. Ao se opor aos métodos contraceptivos, a doutrina da Igreja Católica causa sofrimento. É coerente com seus dogmas, embora eles levem crianças a nascerem na pobreza extrema e pessoas a serem infectadas pela aids, por fazerem sexo sem camisinha. Através das eras, os dogmas contribuíram para a miséria humana de maneira tremenda e desnecessária.

Nem toda moralidade é baseada em religião. Existe uma longa tradição de pensamento moral secular por meio da filosofia. O que há de errado com essa tradição?


Não há nada de errado com ela a não ser o fato de que a maior parte das discussões filosóficas seculares são confusas e irrelevantes para as questões importantes na vida humana. Deveria ser consenso o apreço ao bem-estar humano. Se alguma coisa é má, é porque ela causa um grande e desnecessário sofrimento ou impede a felicidade das pessoas. Se alguma coisa é boa, é porque ela faz o contrário. Mas existem filósofos seculares batendo cabeça em debates entediantes, dizendo que não podemos falar de verdade moral. Segundo eles, cada cultura deve ser livre para inventar seus ideais morais sem ser perturbado por outros. Isso é loucura. Hoje reconhecemos que a escravidão, que era praticada por muitas culturas, era fonte de sofrimento. Nesse caso, deixamos para trás o relativismo. Por que não podemos fazer o mesmo em outros casos?

Você parece sugerir que a tolerância a outros credos não é uma virtude, como a maioria pensa. Por quê?

 É um posicionamento inicial muito bom. A tolerância é a inclinação para evitar conflito com outras pessoas. É como queremos que a maioria se comporte a maior parte do tempo quando se depara com diferenças culturais. Mas quando as diferenças se tornam extremas e a disparidade na sabedoria moral se torna incrivelmente óbvia, então, a tolerância não é mais uma opção. A tolerância à intolerância nada mais é do que covardia. Não podemos tolerar uma jihad global. A ideia de que se pode chegar ao paraíso explodindo pessoas inocentes não é um arranjo tolerável. Temos que combater essas coisas por meio da intolerância às pessoas que estão comprometidas com essa ideologia. Não acredito que seria possível sentar à mesa com, por exemplo, Osama Bin Laden e convencê-lo que a forma como ele enxerga o mundo é errada.

Por que a ciência deveria ditar o que é certo e o que é errado?


Temos que reconhecer que as questões morais possuem respostas corretas. Se o bem-estar humano surge a partir de certas causas, inclusive neurológicas, quer dizer que existem formas certas e erradas para procurar a felicidade e evitar a infelicidade. E se as respostas corretas existem, elas podem ser investigadas pela ciência. Chamo de ciência o nosso melhor esforço em fazer afirmativas honestas sobre a natureza do mundo, tendo como base a razão e as evidências.

O que é a ciência da moralidade e o que ela quer conquistar?

 É a ciência da mente humana e das variáveis que afetam a nossa experiência do mundo para o bem ou para o mal. Ela pretende discutir, por exemplo, o que acontece com mulheres e garotas que são forçadas a utilizarem a burca [vestimenta muçulmana que cobre todo o corpo da mulher]. São efeitos neurológicos, psicológicos, sociológicos que afetam o bem-estar dos seres humanos. Com a burca, sabemos que é ruim para as mulheres e para a sociedade. Se metade de uma sociedade é forçada a ser analfabeta e economicamente improdutiva, mas ter quantos filhos conseguir, fica óbvio que essa é uma estratégia ruim para construir uma população que prospera. O objetivo é entender o bem-estar humano. Assim como queremos fazer convergir os princípios do conhecimento, queremos que as pessoas sejam racionais, que avaliem as evidências, que sejam intelectualmente honestas e que não sejam guiadas por ilusões. A Ciência da Moralidade pretende aumentar as possibilidades da felicidade humana.

O senhor afirma que há um muro dividindo a ciência e a moralidade. No que ele consiste?

Existem razões boas e ruins para a existência desse muro. A boa é que os cientistas reconhecem que os elementos relevantes ao bem-estar humano são extremamente complicados. Sabemos muito pouco sobre o cérebro, por exemplo, para entender todos os aspectos da mente humana. A ciência espera um dia responder essas questões e isso é muito bom. A razão ruim é que muitos cientistas foram confundidos pela filosofia a pensar que a ciência é um espaço sem valores. E a moralidade está, por definição, na seara dos valores. Esse muro não será destruído enquanto não admitirmos que a moralidade está relacionada à experiência humana, que por sua vez está relacionada com o cérebro e com a forma pela qual o universo se apresenta. Ou seja, por elementos que podem ser investigados pela ciência.

Quais avanços científicos lhe fazem pensar que, agora, a moralidade pode ser tratada a partir do ponto de vista do laboratório?


Temos condição de dizer quando uma pessoa está olhando para um rosto, ou uma casa, ou um animal, ou quais palavras ela está pensando dentro de uma lista. Esse nível cru de diferenciação de estados mentais está definitivamente ao alcance da ciência. Sabemos quando uma pessoa está sentindo medo ou amor. Por causa disso podemos, em princípio, pegar uma pessoa que diz não ser racista, colocá-la em um medidor e verificar se ela está falando a verdade. Não apenas isso, podemos descobrir se ela está mentindo para si mesma ou para as outras pessoas. A tecnologia já chegou a esse nível, mas não conseguimos ler a mente das pessoas com detalhes. É possível que futuramente possamos descobrir coisas sobre a nossa subjetividade de que não temos consciência, utilizando experimentos científicos. E isso tudo se relaciona ao bem-estar humano e o modo como as pessoas ficam felizes e como poderemos viver juntos para maximizar a possibilidade de ter vidas que valham a pena.

Por que deveríamos confiar a educação dos nossos filhos aos valores científicos? Os cientistas não se transformariam, com o tempo, em algo como padres, mas com uma ‘batina’ diferente?


Cientistas não são padres. Os médicos, por exemplo, agem sob o pensamento da medicina, que, como fonte de autoridade, não se tornou arrogante ou limitou a liberdade das pessoas de maneira assustadora. É uma disciplina que está concentrada em entender a vida humana e minimizar o sofrimento físico. Seu médico nunca vai até você ‘pregar’ sobre os preceitos da ciência, você vai até ele quando precisa. Pais que se deixam guiar por dogmas religiosos não dão remédios aos filhos e os deixam morrer. Na ciência não existem dogmas. Qualquer afirmação pode ser contestada de maneira sensata e honesta.

O que dizer dos experimentos neurológicos que sugerem que a crença religiosa está embutida nos nossos cérebros?


Não acho que a crença religiosa esteja embutida no cérebro humano. Mas digamos que esteja. Façamos um paralelo com a bruxaria. Pode ser que a crença em bruxaria estivesse embutida em nossos cérebros. A bruxaria matou muitos seres humanos, assim como a religião. Todas as culturas tradicionais acreditaram em algum momento em bruxas e no poder de magia e, na verdade, a crença na reza possui um conceito semelhante. Algumas pessoas dizem que sempre acreditaremos em bruxas, que a saúde humana será afetada pela 'magia' de vizinhos. Na África, muitas pessoas realmente acreditam em bruxaria e isso é terrível porque causa sofrimento desnecessário. Quando não se entende porque as pessoas ficam doentes, ou porque as crianças morrem antes dos três anos, você está num estado de ignorância que a crença em bruxaria está suprindo uma necessidade de maneira nociva. Superamos isso no mundo desenvolvido por causa do avanço da Ciência. Sabemos como a agricultura é afetada, por exemplo. Entendemos os fenômenos meteorológicos e a biologia das plantas. Não é algo que a religião resolve, e sim a ciência. Mas costumava ser assim. A crença na regência de um deus sobre a lavoura era universal.

As pessoas deveriam parar de acreditar em Deus?


Se eu acho que as pessoas deveriam parar de acreditar no Deus da Bíblia? Com certeza. Da mesma forma que as pessoas pararam de acreditar em Zeus, em Thor e milhares de deuses mortos. O Deus da Bíblia tem exatamente o mesmo status desses deuses mortos. É um acidente histórico estarmos falando dele e não de Zeus. Poderíamos estar vivendo num mundo onde os suicidas muçulmanos se explodiriam por causa de ideias dos deuses do Monte Olimpo. A diferença entre xiitas e sunitas muçulmanos é a mesma diferença entre seguidores de Apolo e seguidores de Dionísio.

O senhor sempre foi ateu?

Nunca me considerei um ateu, nem mesmo ao escrever meu primeiro livro. Todos somos ateus em relação a Zeus e Thor. Eu era um ateu em relação a eles e ao deus de Abraão. Mas nunca me considerei um ateu, como a maioria das pessoas não se considera pagã em relação aos deuses do Monte Olimpo. Foi no 11 de setembro de 2001, dia do atentado ao World Trade Center em Nova York, que senti que criticar a religião publicamente havia se tornado uma necessidade moral e intelectual. Antes disso eu era apenas um descrente. Eu nunca havia lido livros ateus, ou tivera qualquer conexão com a comunidade ateísta. O ateísmo não é um conceito que considere interessante ou útil. Temos que falar sobre razão, evidências, verdade, honestidade intelectual — todas essas coisas são virtudes que nos deram a ciência e todo tipo de comportamento pacífico e cooperativo. Não é preciso dizer que você é contra algo para advogar em favor da honestidade intelectual. Foi justamente isso que destruiu os dogmas religiosos.

O senhor cresceu em um ambiente religioso?


Cresci em um ambiente completamente secular, mas não havia crítica às religiões ou discussões sobre ateísmo, existência de Deus etc. Quando era adolescente, fiquei muito interessado em religiões e experiências religiosas. Coisas como meditação, por exemplo. Aos vinte, comecei a estudar espiritualidade e misticismo. Ainda me interesso por essas coisas, mas acho que, para experimentar, não precisamos acreditar em nada que não possua evidencias suficientes.

Como o senhor se sente em ser rotulado como um dos ‘Quatro Cavaleiros do Apocalipse’?


Estou muito feliz com a companhia! É uma honra. A associação não me desagrada de forma alguma. Acho que os quatro lucraram por terem sido reunidos e tratados como uma pessoa de quatro cabeças. Em alguns momentos é um desserviço porque nossos argumentos não são exatamente os mesmos e não acreditamos nas mesmas coisas em todos os pontos. Mas tem sido útil sob o ponto de vista das publicações e admiro muito os outros cavaleiros — os considero mentores e amigos. A parte do apocalipse tem um efeito cômico.

Se o senhor tivesse a chance de se encontrar com o Papa para um longo e honesto bate-papo, qual seria sua primeira pergunta?

Gostaria de falar imediatamente sobre o escândalo do estupro infantil dentro da Igreja Católica. Acho que o Papa é culpável por tudo que aconteceu. A evidência nesse momento sugere que ele estava entre as pessoas que conseguiram fazer prolongar o sofrimento de crianças por muitos anos. Acho que ele trabalhou ativamente para proteger a Igreja do constrangimento e no processo conseguiu garantir que os estupradores tivessem acesso às crianças por décadas além do que deveria ter sido. O Papa deveria ser diretamente desafiado por causa disso. Contudo, é algo que seu status como líder religioso impede que aconteça. Ele nunca seria protegido dessa forma se ele estivesse em qualquer outra posição na sociedade. Imagine o que aconteceria se descobrissem que o reitor da Universidade de Harvard [uma das universidades americanas mais respeitadas do mundo] tivesse permitido que empregados da universidade estuprassem crianças por décadas e ele tivesse mudado essas pessoas de departamento para protegê-las da justiça secular? Ele estaria na cadeia agora. E isso é impensável quando se fala do Papa. Isso acontece por que nos ensinaram a tratar a religião com deferência.



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Like A Rolling Stone


Nós, os Filhos das Estrelas

Da Veja:

 

Espaço

Nasa: base da vida na Terra pode ter vindo do espaço

Pesquisa encontra elementos fundamentais do código genético em meteoritos

DNA                                                            

Uma nova pesquisa da Nasa mostra que alguns componentes fundamentais do DNA encontrados em uma série de meteoritos não são resultado de contaminação na Terra e sim que surgiram no espaço. O estudo, que será publicado na edição desta semana do periódico Proceedings of the National Academy of Sciences (Anais da Academia Americana de Ciências), dá força à hipótese de que a vida na Terra tenha vindo do espaço na carona de meteoritos.

Elementos do DNA — as moléculas que carregam as instruções genéticas que são a base da vida — são encontrados em meteoritos desde a década de 1960. Mas os cientistas não tinham certeza se estas bases haviam vindo no espaço ou foram parar nos objetos por contaminação em terra. Por exemplo, cientistas já haviam achado aminoácidos (uma molécula orgânica) em amostras de um cometa e em vários meteoritos ricos em carbono. Os aminoácidos entram na composição das proteínas, espécie de combustível da vida que está presente em diversas estruturas, de células do cabelo às enzimas.

Ao analisar 12 meteoritos, a equipe da Nasa encontrou dessa vez nucleotídeos, partes constituintes da espiral do DNA. São estes blocos que dizem às células quais proteínas devem ser produzidas. Associados aos nucleotídeos, os cientistas encontraram rastros de outras três moléculas, duas das quais quase nunca aparecem na biologia conhecida na Terra.

A concentração destas moléculas também serviu de pista de sua origem extraterrestre. Em amostras de rocha da Antártida, local onde os meteoritos foram encontrados, a concentração dessas substâncias é da ordem de partes por trilhão, enquanto nos meteoritos a quantidade é muito maior: partes por bilhão. Por fim, os pesquisadores descobriram que algumas das bases encontradas nos meteoritos foram produzidas por reações químicas possíveis apenas em laboratório, forte indicação de que não houve contaminação.

Os autores do estudo sugerem no mesmo artigo que existe uma classe de meteorito — CM2 — com características ideais para produzir as moléculas elementares do código genético humano.



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Dia do Orgulho Hétero: A Guerra Inútil do Sexo


Estou praticamente sem tempo para escrever, me dedicando à minha atividade remunerada. É, é preciso levar o leite das crianças! Enquanto não resolvo minha situação, para o Blog não ficar totalmente parado, tenho copiado textos que acho interessantes e que podem acrescentar ao debate de idéias. Hoje transcrevo um artigo do Guilherme Fiuza (link aí ao lado) na Revista Época, espero que gostem:


Dia do Orgulho Hétero: a guerra inútil do sexo -
Guilherme Fiuza


A ideia da criação do Dia do Orgulho Heterossexual em
São Paulo, apesar de idiota, é coerente. É para esse tipo de aberração que a história “progressista” caminha. O Brasil elegeu e santificou um ex-operário, o mundo achou que estava salvo com a eleição de um presidente americano negro, o Brasil se achou moderno ao passar a ser presidido por uma mulher. Obama está enrolado numa crise política (com pretextos financeiros), Dilma se debate com a corrupção herdada dela mesma e Lula fatura com palestras populistas ao lado do cadáver insepulto do mensalão. Mas o que importa são as bandeiras.
 
 
A eleição de um negro para a Casa Branca foi importante como símbolo. Mas o arrastão politicamente correto que coloniza o planeta logo a transformou numa panaceia, numa estranha apoteose étnica – como se a grande virtude de Obama fosse a cor de sua pele. Preconceito com sinal trocado. Essa espécie de “racismo do bem” não poderia dar em outra coisa: excitou a reação conservadora, fazendo emergir a ala radical do Partido Republicano e agravando a crise da dívida dos Estados Unidos.

É exatamente o mesmo fenômeno que ronda a exacerbação da cultura gay. O que poderia ser um movimento saudável, de afirmação dos que foram (e são) oprimidos por sua natureza afetiva, ganha tons de arrogância e até revanchismo. Foi assim que o MST começou a botar os pés pelas mãos: seguindo a doutrina de aprendizes de maoísmo como João Pedro Stédile, não bastava conquistar terras – era preciso depredar as instalações dos proprietários.

De repente, a moral heterossexual precisa ser confrontada. Figuras retrógradas, como o deputado Jair Bolsonaro, ganham combustível e até se declaram vítimas de “heterofobia” – miseravelmente com razão. Quem não tem orgulho gay, ou não simpatiza com a causa, está na berlinda. Como se isso fosse antídoto para a opressão passada, presente ou futura. A principal novela da televisão brasileira força a barra pela “normalidade” dos casais gays, querendo apressar a assimilação de costumes na base da militância. É um tiro que sai pela culatra (sem trocadilho, diria o filósofo Agamenon Mendes Pedreira).

O Dia do Orgulho Hétero, aprovado pela Câmara Municipal de São Paulo, é uma excrescência. Mas é herança legítima do movimento gay, ou pelo menos de sua face totalitária, difundida pelos evangelizadores do politicamente correto. Se carregar a bandeira gay significa, em alguma medida, constranger os héteros, estaremos andando em círculos no território da discriminação (não importa para que lado ela esteja apontada). É quando os progressistas se tornam, orgulhosamente, reacionários.

Quando os progressistas se tornam reacionários, nós andamos em círculos no território da discriminação.

Em outra frente de “discriminação progressista”, o sistema de cotas nas universidades produziu um resultado curioso. Em 15 anos de adoção da medida, com reserva de vagas para negros e provenientes de escolas públicas, a presença das classes C, D e E nas universidades federais não cresceu nem um ponto porcentual (eram 44,3% em 1996 e 43,7% em 2010).

Houve um ligeiro aumento da presença de pretos e pardos e também de estudantes vindos de escolas públicas. E por que mesmo foi implantado o sistema de cotas? Para dar oportunidade no ensino superior a minorias socialmente desfavorecidas. Como se viu pelo resultado da pesquisa por classes, as cotas não beneficiaram quem tem menor renda. Ou seja: negros ficaram com vagas de brancos de sua mesma faixa social, assim como estudantes de escolas públicas ganharam o lugar de colegas do ensino privado com o mesmo nível de renda (ou, possivelmente, até menor).

O que deveria ser uma forma de resgate social virou, portanto, privilégio racial (e curricular). A “discriminação progressista” tornou-se só discriminação.

Os politicamente corretos não descansarão enquanto pretos e brancos, ricos e pobres, gays e héteros não entrarem definitivamente em guerra.
                                                   
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