Blog do Vamp

O Vampiro de Curitiba




___"Estado, chamo eu, o lugar onde todos, bons ou malvados, são bebedores de veneno; Estado, o lugar onde todos, bons ou malvados, perdem-se a si mesmos; Estado, o lugar onde o lento suicídio de todos chama-se... "vida"!" (F. Nietzsche)

Mostrando postagens com marcador EUA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador EUA. Mostrar todas as postagens

Somente Incertezas

Acabo de chegar em casa. Um café. Um cigarro. Vou escrever algo pro Blog: escrever o quê? Sobre o quê? Pra que escrever? Pra que blog?

Não sei se vai chover ou fazer sol. Não sei se a faxina da Dilma é mesmo pra valer ou o PT vai prosseguir na sujeira. E se a "presidenta" tiver o mesmo destino do Celso Daniel? Não sei.

Mais um café. E um cigarro, óbvio. Não sei se continuo no apartamento ou vou morar numa chácara. Criar galinhas deve ser mais interessante do que criar textos. Galinhas, qualquer coisa, corto-lhes a cabeça e  meto-as numa panela. Textos? Só se cortar minha própria cabeça. Mas não tenho fome. Não de galinhas...

A Europa vai para a Direita? E os Estados Unidos? O café tá muito doce, mas o cigarro disfarça o amargo do açucar. Assim como galinhas disfarçam a solidão da página em branco...

Talvez apenas colocar um vídeo: Rolling Stones ou David Bowie? O tempo está nublado, nem chuva e nem sol...

Quase dez da manhã. As pessoas todas acordadas. Está na hora de dormir. Não, chega de perder tempo! Mas... tempo pra quê?

Agora até o café me deixa em dúvida: bebo ou não? Só mais uma dose de cafeína. E nicotina...

Vou dormir! O café me roubou o sono...

Vou curtir Rolling Stones!  






O Vampiro de Curitiba


.

Obama No Brasil

Óbvio que eu não poderia deixar de comentar sobre a visita do presidente Obama ao Brasil. O problema é que demorei para o fazer e, depois de já ter escrito um texto sobre o assunto, li um artigo do Guilherme Fiuza para o jornal O Globo. Resumindo a história: o artigo do Guilherme Fiuza é extremamente semelhante ao que eu acabara de escrever! Fazer o quê? Bem, acho que meu texto iria parecer plágio do citado artigo. Paciência! Como o Guilherme Fiuza saiu na frente, fiquem com o artigo dele:


                       "O negro, a mulher e o circo". (Guilherme Fiuza, para o jornal O Globo)


Os intelectuais de esquerda estão confusos. Com a visita do presidente dos Estados Unidos ao Brasil, está difícil escolher o tema do manifesto contra alguma coisa. Obama é negro e yankee. E agora? Com Bush a vida era muito mais fácil. Bastava copiar um dos panfletos do cineasta Michael Moore, maldizer o poder dos brancos, corpulentos e egoístas, e sair para o abraço no Teatro Casa Grande. Mas esse imperialista negro e magro é uma dor de cabeça para os indignados. O dicionário dos progressistas entrou em curto. Isso só pode ser coisa da CIA.

O governo do PT estava tranquilo até outro dia, fazendo carinho em Kadafi para libertar o mundo das garras yankees. Aí veio a realidade - essa entidade alienada - atrapalhar o conto de fadas revolucionário. No mesmo momento em que exaltar o ditador líbio se tornou uma coisa, por assim dizer, meio cafona, o presidente americano resolve baixar no Brasil. Para bagunçar ainda mais os estereótipos, Obama tem origem árabe - o que na cartilha da esquerda é sinônimo de bonzinho. Que palavra de ordem gritar para um monstro do bem?


A militância petista decidiu, por via das dúvidas, vaiá-lo. Afinal, acima das atenuantes politicamente corretas, o homem é o chefe da Casa Branca. Não dá para ser condescendente com um inimigo do companheiro Fidel. Mas essa decisão provocou um racha no partido. O governo popular já tinha decidido que, em lugar do velho rosnado terceiro-mundista, seria melhor seguir a linha da apoteose do oprimido: o encontro triunfal da primeira presidente mulher com o primeiro presidente negro.


Aí as vaias de partidários de Dilma a Obama iam estragar o enredo. Mas as bases do PT no Rio de Janeiro sustentaram que não dava para ver um presidente americano passar sem protestar. A direção do partido então resolveu a parada. Deixou de lado a conversa de liberdade para as minorias e, enchendo o companheiro Fidel de orgulho, baixou a censura de opinião para todos os filiados. Mais democrático do que isso, só se mandasse os dissidentes passarem o fim de semana em Teerã, para um workshop com o camarada Ahmadinejad sobre radioatividade.


Tudo pela tolerância - desde que com as coisas certas. Recentemente, um grupo de negros protestou nas ruas do Rio contra um bloco carnavalesco que homenageava Monteiro Lobato. Isso é tolerável. As "Caçadas de Pedrinho" não estão protegidas por lei, podem ser avacalhadas à vontade. Mas se alguém reagir a quem as está avacalhando pode ir preso. Reduzir um clássico da literatura a uma pinimba ideológica não é crime. Segundo os valores do Brasil de hoje, o que cada um faz ou pensa pode não ser tão importante quanto a cor da sua pele. Cuidado com quem você vaia.


O presidente da nação mais poderosa do mundo é, antes de tudo, um negro - pelo menos segundo a moderna ditadura dos estereótipos progressistas. E o grande projeto do novo governo brasileiro é ser chefiado por uma "presidenta", ordenhando essa panaceia sexista até a última gota. Ninguém sabe direito o que faz ou pensa Dilma Rousseff, mas na era do slogan o que importa é a excitação do imaginário. Talvez por isso, um governo prestes a completar três meses de vida sem um único projeto relevante gaste os tubos com proselitismo feminista.


No Dia Internacional da Mulher - a data mais machista do calendário mundial -, o governo federal veiculou na TV uma propaganda diferente. Mostrava uma menina mulata em variadas situações de brincadeiras infantis. E uma locutora dizendo que, no Brasil de hoje - o da "presidenta", bem entendido -, ela poderá ser o que quiser quando crescer. Espera-se que possa mesmo. De preferência, tendo ideias próprias, e não carregada na carona de algum padrinho populista.


Duas mulheres foram escaladas para receber Obama, o negro, em sua chegada a Brasília. As duas diplomatas infelizmente não são negras, mas o respeitável público há de perdoar essa gafe. Se elas declararem que não gostam de Monteiro Lobato, fica tudo certo. Como se vê, a cota de criatividade das "ações afirmativas" na recepção brasileira ao presidente americano não tem limites. Mulheres e negros jamais serão os mesmos depois de todo esse folclore politicamente correto. Espera-se que não gastem todas essas esmolas morais em cachaça. Melhor psicanálise.


No aquecimento para o grande circo das minorias, Dilma recebeu a cantora Shakira. Fez pose com o violão que ganhou da colombiana para combater a pobreza. O feminismo não poderia prescindir dessa imagem. Mas se o negócio é vender símbolos, está faltando uma foto com a Bruna Surfistinha. Ela não é militante, nem engajada, mas pelo menos é sincera.


E não ganha a vida com slogans.

(Texto de Guilherme Fiuza, para o jornal O Globo)


O Vampiro de Curitiba