Blog do Vamp

O Vampiro de Curitiba




___"Estado, chamo eu, o lugar onde todos, bons ou malvados, são bebedores de veneno; Estado, o lugar onde todos, bons ou malvados, perdem-se a si mesmos; Estado, o lugar onde o lento suicídio de todos chama-se... "vida"!" (F. Nietzsche)

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Obama No Brasil

Óbvio que eu não poderia deixar de comentar sobre a visita do presidente Obama ao Brasil. O problema é que demorei para o fazer e, depois de já ter escrito um texto sobre o assunto, li um artigo do Guilherme Fiuza para o jornal O Globo. Resumindo a história: o artigo do Guilherme Fiuza é extremamente semelhante ao que eu acabara de escrever! Fazer o quê? Bem, acho que meu texto iria parecer plágio do citado artigo. Paciência! Como o Guilherme Fiuza saiu na frente, fiquem com o artigo dele:


                       "O negro, a mulher e o circo". (Guilherme Fiuza, para o jornal O Globo)


Os intelectuais de esquerda estão confusos. Com a visita do presidente dos Estados Unidos ao Brasil, está difícil escolher o tema do manifesto contra alguma coisa. Obama é negro e yankee. E agora? Com Bush a vida era muito mais fácil. Bastava copiar um dos panfletos do cineasta Michael Moore, maldizer o poder dos brancos, corpulentos e egoístas, e sair para o abraço no Teatro Casa Grande. Mas esse imperialista negro e magro é uma dor de cabeça para os indignados. O dicionário dos progressistas entrou em curto. Isso só pode ser coisa da CIA.

O governo do PT estava tranquilo até outro dia, fazendo carinho em Kadafi para libertar o mundo das garras yankees. Aí veio a realidade - essa entidade alienada - atrapalhar o conto de fadas revolucionário. No mesmo momento em que exaltar o ditador líbio se tornou uma coisa, por assim dizer, meio cafona, o presidente americano resolve baixar no Brasil. Para bagunçar ainda mais os estereótipos, Obama tem origem árabe - o que na cartilha da esquerda é sinônimo de bonzinho. Que palavra de ordem gritar para um monstro do bem?


A militância petista decidiu, por via das dúvidas, vaiá-lo. Afinal, acima das atenuantes politicamente corretas, o homem é o chefe da Casa Branca. Não dá para ser condescendente com um inimigo do companheiro Fidel. Mas essa decisão provocou um racha no partido. O governo popular já tinha decidido que, em lugar do velho rosnado terceiro-mundista, seria melhor seguir a linha da apoteose do oprimido: o encontro triunfal da primeira presidente mulher com o primeiro presidente negro.


Aí as vaias de partidários de Dilma a Obama iam estragar o enredo. Mas as bases do PT no Rio de Janeiro sustentaram que não dava para ver um presidente americano passar sem protestar. A direção do partido então resolveu a parada. Deixou de lado a conversa de liberdade para as minorias e, enchendo o companheiro Fidel de orgulho, baixou a censura de opinião para todos os filiados. Mais democrático do que isso, só se mandasse os dissidentes passarem o fim de semana em Teerã, para um workshop com o camarada Ahmadinejad sobre radioatividade.


Tudo pela tolerância - desde que com as coisas certas. Recentemente, um grupo de negros protestou nas ruas do Rio contra um bloco carnavalesco que homenageava Monteiro Lobato. Isso é tolerável. As "Caçadas de Pedrinho" não estão protegidas por lei, podem ser avacalhadas à vontade. Mas se alguém reagir a quem as está avacalhando pode ir preso. Reduzir um clássico da literatura a uma pinimba ideológica não é crime. Segundo os valores do Brasil de hoje, o que cada um faz ou pensa pode não ser tão importante quanto a cor da sua pele. Cuidado com quem você vaia.


O presidente da nação mais poderosa do mundo é, antes de tudo, um negro - pelo menos segundo a moderna ditadura dos estereótipos progressistas. E o grande projeto do novo governo brasileiro é ser chefiado por uma "presidenta", ordenhando essa panaceia sexista até a última gota. Ninguém sabe direito o que faz ou pensa Dilma Rousseff, mas na era do slogan o que importa é a excitação do imaginário. Talvez por isso, um governo prestes a completar três meses de vida sem um único projeto relevante gaste os tubos com proselitismo feminista.


No Dia Internacional da Mulher - a data mais machista do calendário mundial -, o governo federal veiculou na TV uma propaganda diferente. Mostrava uma menina mulata em variadas situações de brincadeiras infantis. E uma locutora dizendo que, no Brasil de hoje - o da "presidenta", bem entendido -, ela poderá ser o que quiser quando crescer. Espera-se que possa mesmo. De preferência, tendo ideias próprias, e não carregada na carona de algum padrinho populista.


Duas mulheres foram escaladas para receber Obama, o negro, em sua chegada a Brasília. As duas diplomatas infelizmente não são negras, mas o respeitável público há de perdoar essa gafe. Se elas declararem que não gostam de Monteiro Lobato, fica tudo certo. Como se vê, a cota de criatividade das "ações afirmativas" na recepção brasileira ao presidente americano não tem limites. Mulheres e negros jamais serão os mesmos depois de todo esse folclore politicamente correto. Espera-se que não gastem todas essas esmolas morais em cachaça. Melhor psicanálise.


No aquecimento para o grande circo das minorias, Dilma recebeu a cantora Shakira. Fez pose com o violão que ganhou da colombiana para combater a pobreza. O feminismo não poderia prescindir dessa imagem. Mas se o negócio é vender símbolos, está faltando uma foto com a Bruna Surfistinha. Ela não é militante, nem engajada, mas pelo menos é sincera.


E não ganha a vida com slogans.

(Texto de Guilherme Fiuza, para o jornal O Globo)


O Vampiro de Curitiba

Na Cabeça!


Acabei de assistir o Jornal Nacional. Muito mensalão, muita corrupção, mas isso já é rotina aqui na Banânia. Nada que ainda choque alguém. Nem mais as "imagens falam por sí". Surpresa seria se algum deputado, algum senador ou governador, algum presidente da República fosse preso. Tá todo mundo metendo a mão no dinheiro público. Esse é o país depois de quase uma década de governo petista. O que me chamou a atenção mesmo foi uma matéria sobre o tal de "Aquecimento Global". Os profetas do Apocalipse se deram mal, muito mal. Não tem aquecimento nenhum, pelo contrário, a Terra está num processo de resfriamento. O herói dos cabeças ocas, AL Gore, pelo jeito vai ter que devolver o Nobel que conseguiu com a mistificação do fim do mundo. Espero que Obama também não tenha que devolver o seu. Sobre esse assunto, vejam o que comentei no Blog do Gerald em MARÇO DE 2008:

Enviado em 18/03/2008 às 7:54

"Heitor, esse papo de aquecimento global é o seguinte: nos países subdesenvolvidos, essa conversa serve para os companheiros desviarem uma grana através das ONG’s, aquelas que vão salvar o planeta. Nos países desenvolvidos, serve para satisfazer as consciências: É só plantar uma arvorezinha e está tudo bem. Adotar crianças vietnamitas é um saco…"

Na cabeça!


A Frase da Semana

Não se forma a imagem de um país do dia para a noite, é preciso anos de batalha. A reputação de país equilibrado, coerente, que o Brasil manteve durante séculos,  foi para a lata do lixo graças aos esforços do Itamaraty. Melhor dar nomes aos bois: graças aos esforços de Celso Amorim, Marco Aurélio Garcia e Lula. A Dilma deve ter marqueteiros mais antenados que os auxiliares de Lula, pois acabei de ver, também no Jornal Nacional, que ela, ao contrário do trio de bois petista, vai reconhecer as eleições de Honduras. Dá para comemorar? Infelizmente não. A imagem do país nunca será a mesma depois de Lula, o filho do Brasil. A "Frase da Semana" que escolhi demonstra muito bem como os estrangeiros enxergam o Brasil:

"Chicago levou Oprah Winfrey e Michelle Obama para o dia da escolha da sede olímpica. O Brasil levou 50 strippers e meio-quilo de pó." (Robin Williams, no David Letterman) 

Na cabeça!


Para dar um brilho especial neste fim de semana, curtam "Head On", do The Jesus and Mary Chain. Mais abaixo a mesma música, mas interpretada pelo Pixies.





O Vampiro de Curitiba



O Brasil na Lata de Lixo da História

O filme acaba mal: ele vira presidente.” (Macaco Simão, sobre o filme do Lula)



Não bastava a vergonha da intromissão do Governo brasileiro em Honduras, onde Manuel Zelaya está até hoje na embaixada brasileira sem ser refugiado, sem ser asilado, sem ser nada? Não bastava o constrangimento causado por Tarso Genro com o Governo italiano por causa de Cesare Battisti, considerado até por partidos de esquerda daquele país como um homicida, um criminoso comum? Não, a burrice é mesmo ousada. A estupidez também.

Lula teve que ir mais longe. Lula teve que mostrar ao mundo que ele não é qualquer um, ele é Lula, o filho do Brasil. Enquanto crianças são condenadas à morte, enquanto mulheres suspeitas de serem adúlteras ou homens de serem homossexuais são apedrejados até a morte, enquanto opositores do regime são torturados, Ahmadinejad, o responsável por todas estas barbáries, era recebido no Brasil por seu “bom amigo” Lula.

Por quê, Lula? Pelas relações comerciais entre os dois países? Não, o comércio entre Brasil e Irã é absolutamente insignificante. Para que o Brasil consiga uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU? Não, ninguém votaria em quem recebe o governante de um país cujo Ministro da Defesa é procurado pela Interpol por ter matado 85 pessoas num ataque terrorista na Argentina. E esta acusação não vem de Israel ou dos EUA. Vem da própria Argentina da companheira Cristina Kirchner. Para mostrar ao mundo que o Brasil tem influência também no Oriente Médio? Ora, ninguém recebe Ahmadinejad simplesmente porque ninguém quer convidá-lo. Ele é visto como um pária pela comunidade internacional. Para promover a paz entre palestinos e judeus? Até o tirano iraniano se surpreendeu com a ingenuidade do nosso presidente quando este propôs resolver um problema que dura gerações com uma partida de futebol entre Brasil e uma seleção mista de judeus e palestinos.

Celso Amorim, sempre ele, afirmou que era uma prova de independência do Brasil. Que nós agimos por conta própria, mesmo que isso viesse a desagradar os americanos. Depois, quando viu a repercussão na Imprensa mundial, quando leu em todos os jornais do mundo que Lula seria apenas um bate-pau de Chaves, correu avisar que não, que tudo estava combinado com os Estados Unidos. Bom, melhor ser bate-pau do Obama, né? E em Honduras, também foi combinado com o Governo Americano? Celso Amorim não queria eleições antes de dar posse a Manuel Zelaya. Obama simplesmente ignorou a posição do Brasil e domingo próximo o povo hondurenho escolherá seu presidente. Ninguém mais dá bola aos delírios megalomaníacos de Celso Amorim e Lula.

O que ficará nos livros de História não serão as baboseiras de um filme patrocinado por empresas que receberam milhões do BNDES. O que entrará para a História e para a biografia de Lula serão as fotografias dos abraços entre dois “bons amigos”. Lula e Ahmadinejad: o Brasil entra, definitivamente, para a lata de lixo da história.



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