Não sei se vocês, leitores, estão acompanhando estes primeiros momentos do Governo do PT com Dilma Roussef na presidência do Executivo. Acontece exatamente aquilo que qualquer pessoa minimamente esclarecida já esperava: Dilma vem traindo todos aqueles idiotas "progressistas" que caíram na lábia petista.
Na campanha eleitoral vale tudo, desde culpar a "mídia golpista" pelos escândalos de corrupção até mentir descaradamente sobre a situação econômica do país. Já no Governo, passada a eleição, a verdade se impõe inexoravelmente. O problema é que os otários "progressistas" continuam acreditando nas mentiras pré-eleitorais. A raiva, o ódio, destilados irresponsavelmente pelo PT com o objetivo de dividir a sociedade, já estão entranhados na militância.
Exemplo disso foi a demissão do jurássico chavista Emir Sader antes mesmo de sua posse na Casa de Rui Barbosa. Sader, petista desde sempre, foi um dos mais ferozes críticos do PSDB e de José Serra. A militância esperava que ele assumisse o Ministério da Cultura. Mas como colocar um semi-analfabeto como Sader em algum cargo relevante? Sobrou para ele um carguinho no terceiro escalão, justamente na Casa de Rui Barbosa. Resolveu, então, expressar toda sua cultura em entrevistas à "mídia golpista". Perdeu também o terceiro escalão. Agora talvez seja o carregador de malas oficial de Lula no seu futuro Instituto...
A estupidez esquerdista que cega a todo aquele que faz questão de não enxergar a realidade para não ter de admitir que foi usado por políticos corruptos como massa de manobra não é um privilégio dos brasileiros. Na Argentina a presidente Cristina Kirchner também teve de rebolar para convencer seus militontos a não serem assim, digamos, tão esquerdistas. Leiam abaixo a reportagem da Folha.com e vejam o absurdo a que chegamos: é a ideologia, mais uma vez, contra a Arte.
Cristina Kirchner intervém contra veto a Vargas Llosa
DE BUENOS AIRES
A tentativa de vetar a participação do escritor Mario Vargas Llosa na abertura da Feira Internacional do Livro de Buenos Aires por divergências políticas e ideológicas abriu uma polêmica na Argentina só amenizada após intervenção da presidente Cristina Kirchner.
Um grupo de escritores e intelectuais simpáticos ao governo pediu formalmente que o Nobel de literatura fosse barrado da inauguração do evento, em abril, por "não ser adepto da corrente de ideias que abriga a sociedade argentina".
Vargas Llosa é crítico do peronismo e, em entrevistas, fez duras declarações contra os Kirchner, afirmando que o governo de Cristina é "um desastre total".
O presidente da Biblioteca Nacional argentina, Horacio González, escreveu à Fundação do Livro, organizadora da feira, pedindo veto ao escritor peruano.
González, na carta, diz que Vargas Llosa é um "autoritário messiânico", cuja presença na abertura da feira era "inoportuna".
O comunicado recebeu o apoio do Carta Aberta, um grupo de intelectuais argentinos que considera política a escolha do escritor --o país terá eleições em outubro.
Em entrevista ao diário espanhol "El País", ontem, Mario Vargas Llosa considerou "lamentável" a polêmica e disse que estará na abertura do evento, no próximo mês.
"A única vez que me ocorreu isso foi durante a ditadura militar, quando um general proibiu meus livros", disse o escritor sobre a censura sofrida na Argentina nos anos 1970.
FREIO
Quem freou a polêmica foi a presidente Cristina Kirchner, que ligou para o presidente da Biblioteca Nacional, pedindo retratação.
Ele acatou. Escreveu nova carta dizendo-se favorável à "livre expressão das ideais políticas" e "comprometido com toda discussão que sirva para dar mais qualidade à vida democrática".
Indagado se seu gesto não era autoritário, González negou e disse à Folha que a discussão é "ampla".
"Trata-se de um debate político-cultural que estamos desenvolvendo na Argentina, principalmente sobre o papel do intelectual na sociedade contemporânea", diz.
Apesar de ressaltar que aprecia a literatura de Llosa, o presidente da Biblioteca Nacional fez questão de reafirmar que a escolha de seu nome foi "meramente política". "Preferíamos na abertura um escritor argentino", concorda Alejandro Vaccaro, presidente da Sociedade Argentina de Escritores.
"Vargas Llosa é um político fracassado [ele concorreu à Presidência no Peru nos anos 1990] e tem ideais equivocados sobre a América Latina e a Argentina".
Vários escritores condenaram a tentativa de vetar a presença do peruano no evento.
Gustavo Canevaro, presidente da Fundação do Livro e organizador da feira, afirmou àFolha que a presença de Llosa está mantida.
"Essas polêmicas são normais na Argentina", disse.
"Claro que há sempre um componente político, mas não estamos interessados nisso. É mais rico o debate cultural e o prestígio de ter na abertura um prêmio Nobel".
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Comprei o livro do Lobão "50 Anos A Mil". É de uma leitura fácil, agradável e nos conta não apenas sobre a vida do roqueiro, mas a história de uma geração. Vale muito a pena, recomendo.
Confesso que não curto muito show acústico, acho que o negócio mesmo tem de ser plugado, mas a MTV vem fazendo shows acústicos maravilhosos. Fiquem com Lobão:
O Vampiro de Curitiba

