Blog do Vamp

O Vampiro de Curitiba




___"Estado, chamo eu, o lugar onde todos, bons ou malvados, são bebedores de veneno; Estado, o lugar onde todos, bons ou malvados, perdem-se a si mesmos; Estado, o lugar onde o lento suicídio de todos chama-se... "vida"!" (F. Nietzsche)

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O Terrorista da Noruega e a Mistura de "Raças" no Brasil


Outro caso que está dando o que falar é o do lunático norueguês que, covardemente, assassinou dezenas de seus próprios conterrâneos. A repercussão por aqui se deve mais às citações que o destrambelhado fez em relação aos brasileiros, afirmando que a causa do Brasil ser o que é - um país corrupto, atrasado, exemplo de tudo o que há de pior no planeta - se deve ao fato de haver aqui uma mistura de "raças", o que levaria a sermos uma população de caráter fraco, seres inferiores. Que o Brasil é um país corrupto, atrasado e exemplo de tudo o que há de pior no planeta não há dúvida alguma, convenhamos. Mas será a mistura de "raças" a causa de nosso atraso?

João Pereira Coutinho escreveu na Folha de ontem um excelente artigo sobre o caso da Noruega. Leiam o artigo, vale a pena. Depois eu volto para levantar umas questões específicas sobre a tal "mistura de raças".

O Terrorista da  Noruega


Há algo de podre no reino da Noruega. Ou não há? Lendo os jornais, acreditamos que não. Tudo é silêncio. Nenhum sermão sobre esse tipo de massacre.

Estranho: quando um louco entra numa escola americana e abre fogo sobre os estudantes, a mídia é inundada por sábios, dispostos a explicar tudo, exceto o óbvio.

A culpa é da América. A culpa é de uma história nacional de violência que sempre promoveu a violência. A culpa é das armas, vendidas em todo o lado, sem restrições.
A culpa é dos filmes. Da televisão. Da MTV. Do sr. Marilyn Manson. Do Mickey Mouse. A culpa é de todo mundo, exceto de quem premiu o gatilho.

Esse raciocínio não se aplica apenas às matanças americanas. Aplica-se também ao terrorista clássico, leia-se islamita, que o 11 de Setembro catapultou para as primeiras páginas. Uma bomba em Londres, Madri ou Tel Aviv?

A culpa não é dos terroristas. A culpa, deliciosa ironia, é novamente da América. Ou do seu irmão mais novo, Israel, que “roubou” a terra dos palestinos. A culpa é da pobreza. A culpa é da fome. A culpa é do colonialismo. A culpa é nossa, nunca dos outros.

Nada disso existe nas reações conhecidas ao massacre da Noruega. Os sábios ficaram sem roteiro e olham, pasmados, para os números: das vítimas e, já agora, da excelência do país.

Anthony Browne, no “Sunday Telegraph”, recordava alguma dessa excelência. Segundo as Nações Unidas, a Noruega está no top dos países com melhor qualidade de vida. É presença permanente nas missões de paz em zonas de conflito. É o maior doador de ajuda externa per capita do mundo.

Também não existe nenhuma sombra colonial, ou imperial, a pairar sobre os noruegueses. Em matéria econômica, a Noruega conjuga o supremo sonho dos progressistas: igualdade social com crescimento econômico.

E sobre as armas, sim, elas existem num país de caçadores; mas a legislação sobre a compra e o porte de armas é das mais rigorosas da Europa. O que resta, depois de tudo isso?

Restam três palavras: Anders Behring Breivik. Ou, como o próprio assinou no seu manifesto de 1.500 páginas, Andrew Berwick. Não é preciso procurar as causas imaginárias quando é o próprio a explicar o seu pensamento.

E o seu pensamento, já traduzido pela revista “Foreign Policy”, é indistinguível do pensamento radical jihadista que nos assalta sazonalmente.

Encontramos o mesmo desprezo pela democracia liberal e pelas sociedades pluralistas do Ocidente. A mesma náusea pela “cultura de tolerância” e pelo reles materialismo dos ocidentais.

O mesmo toque de misoginia e puritanismo em relação ao “sexo frágil” -as páginas sobre os hábitos sexuais “devassos” da mãe e da irmã arrepiam qualquer um.

E, surpresa das surpresas, uma admiração assaz heterodoxa pela Al Qaeda e pelo seu defunto líder, Osama bin Laden. Bizarro?

Nem por isso. Breivik despreza a “islamização” da Europa e deseja travá-la pela força das armas. Mas, nessa fobia demente, existem palavras de admiração sobre a disciplina, a tenacidade e até o manual de treino da turma de Bin Laden.

Aliás, os objetivos de ambos são similares: reconquistar a Europa para uma fé perdida. No caso de Bin Laden, reconquistar a Europa para o profeta.

Para Breivik, reconquistá-la para a cristandade. “Tal como os guerreiros jihadistas são as ameixoeiras da Ummah [o mundo islâmico]“, escreve Breivik no manifesto, “nós seremos as ameixoeiras da Europa e do cristianismo.”

Quem disse que os inimigos não nutriam admiração mútua? Hitler era um admirador sincero da violência e da implacabilidade de Stálin.

Regresso ao início: não vale a pena tanto silêncio perante o massacre da Noruega.

No seu inefável horror, ele ensina como as ideias erradas, na cabeça errada, continuam a ser o verdadeiro motor da história.

E o fato de nós, ocidentais, vivermos num estágio pós-ideológico onde nada é importante porque nada tem importância não significa necessariamente que os outros nos acompanham nessa doce viagem relativista.

Como o próprio Breivik confessou pela internet, “uma pessoa com convicção tem a força equivalente a 100 mil que tenham interesses apenas”.

No melhor e no pior, a história da humanidade é a confirmação desse pensamento.

João Pereira Coutinho
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Concordo plenamente com Coutinho. Agora à questão da mistura de "raças":

O leitor mais atento já percebeu que eu sempre uso a palavra "raça" entre aspas, quando falamos em seres humanos. Isto porque, simplesmente, não existe o conceito de raça entre humanos.  Não é assim porque eu quero, assim é porque a ciência nos ensina. Somos todos membros da mesma familia humana. Ponto. No Brasil essa questão de dividir a sociedade em raças, através das malditas "cotas raciais", está sendo levantada por estratégia da Esquerda. Estratégia demagoga, populista e extremamente perigosa.

A ciência nos ensina, ainda, que a mistura de etnias não é, como quer o   fanático norueguês - e como quiseram tantos outros em tempos sombrios - algo que venha "enfraquecer" uma população, seja ela qual for. Muitíssimo pelo contrário. É exatamente a diversidade genética a responsável pela sobrevivência das espécies. Isso vale para toda e qualquer espécie, para qualquer animal, inclusive e, especialmente, para nós humanos.  O conceito nacional-socialista de "raça pura" é uma grande bobagem, cientificamente falando. 

Se o Brasil é exemplo de país atrasado, os Estados Unidos da América são o exemplo de um país desenvolvido, de uma sociedade avançada. E o que se observa na população norte-americana? Uma mistura de etnias maior ainda do que a existente no Brasil. E é justamente essa diversidade de etnias vivendo pacificamente a força dos E.U.A.

O problema do Brasil, portanto, nada tem a ver com "mistura de raças". Isso é de uma idiotice sem tamanho.

O xenófobo norueguês se diz cristão e culpa também o marxismo pelas mazelas brasileiras. Sim, o marxismo realmente é a vanguarda do nosso atraso, principalmente porque formou, junto com o cristianismo do norueguês, a base do senso comum, não apenas no Brasil, mas em toda América Latina, onde todo progresso material e intelectual é visto como algo desprezível, algo a ser mesmo evitado, glorificando sempre a mediocridade, a falta de cultura, a miséria material e intelectual.

A nossa mistura étnica é nossa maior força, motivo de nos orgulharmos. Estive recentemente em São Paulo, passei uns dias lá, acompanhando os ensaios da peça do Gerald Thomas. Percebi a grande diversidade de etnias, mas o que me chamou a atenção foi o grande número de descendentes de japoneses. Pergunto: o que seria de Sampa sem a beleza daquelas japonesinhas maravilhosas?


O Vampiro de Curitiba



A Imprensa e Os Amigos: O Retrato do Poder


Peço licença aos leitores mais "antigos" para republicar um post que escrevi tempos atrás. Não, não é sobre Política. Ou não somente sobre isso, ao menos. É um texto que fala, sobretudo, sobre a Imprensa, sobre o senso comum. Sobre o consenso, se preferirem. Ou sobre o Poder.

Por que republicar? Porque o que me chama mais a atenção nestes tempos sombrios nem são as notícias publicadas pela Imprensa, mas a motivação dessa mesma Imprensa ao publicar tais notícias. O viés ideológico que antecede mesmo os fatos a serem noticiados.  Como neste caso recente sobre a resposta de Israel à provocação do Hamas: não me interessa tanto o fato em sí. Israel não teve outra alternativa a não ser se defender. O que me interessa mesmo é analisar a mente doentia (doente pela ideologia) daqueles inocentes úteis que participaram da tal Flotilha da Insensatez. Muitos nem tão inocentes; muitos com o único objetivo de se auto-promoverem, de terem alguns minutos de fama. Mas muitos realmente pensavam que estariam salvando a humamidade, promovendo a vida. Estavam, de fato, dando sobrevida a assassinos covardes. Promoveram a morte!

Quem, no meio deste pantanal de ignorância e estupidez, se atrever a pensar por si próprio, passa a ser considerado "esquisito", como escreveu Ricardo Kotscho, um dos representantes desse jornalismo idiota. Se Kotscho não sabe explicar os 5%, eu explico os 95%. 

Este texto (em azul), publicado originariamente no Blog do Gerald (2009), foi publicado aqui no Blog do Vamp em Fevereiro deste ano:


O Retrato do Poder


DESVENDADO O SEGREDO DO SUCESSO DO PRESIDENTE LULA

(Lula 2002)



Existe alguma outra frase que possa expressar com tamanha clareza a natureza do nosso sistema político? Desse covil que ainda tem o poder de nos surpreender, de nos indignar? José Sarney, presidente do Senado, tenta nos fazer esquecer seus antigos pecados utilizando-se, para isso, e a cada dia, pecados novos. Quando estamos nos esquecendo das proezas de algum de seus filhos, aparece sua neta para nos lembrar que ainda estamos muito distantes da idéia de sermos um país sério.

O país acostumou-se a viver num eterno escândalo. Políticos são vistos pela sociedade como seres desprezíveis, desnecessários mesmo. Todos eles. De qualquer partido. Menos um! Sim, um deles resiste bravamente. Justamente o principal político do Brasil: seu presidente Luis Inácio Lula da Silva.

Lula será analisado pela História como o político que mais traiu seus eleitores, mais frustrou as esperanças de seu povo. No entanto, no presente, sai imune a todos estes escândalos e alcança altos índices de aprovação. Qual seu segredo?



Da mesma maneira com que Basil Hallward pintou o retrato de Dorian Gray, no romance de Oscar Wilde, Lula foi pintado pela Imprensa, na realidade brasileira. Lula e seu PT surgiram como o novo, os donos absolutos da verdade, da ética, da pureza. Ele estava acima de qualquer análise, de qualquer crítica. Não era como um de nós, que trazemos em nosso interior tanto o Céu como o Inferno. Lula era o oprimido que assumiria o poder e transformaria a política nacional. Como faria isso? Não importava. Ele representava a beleza do sonho em que o operário chega ao poder. E, como sabemos, a beleza não necessita de explicações.
 
Como Dorian Gray percebeu que seus excessos e seus vícios não afetavam sua aparência – pois se mantinha sempre belo, enquanto era seu retrato que adquiria as imperfeições resultantes de noites sem dormir, de bebedeiras, de toda sorte de perversões – seguiu sua vida certo de que assim seria eternamente. O mesmo ocorre com Lula: como todos os escândalos de corrupção, de “mensalão”, de caixa-dois que marcaram seu governo não afetavam sua popularidade, Lula sentiu-se livre para todo tipo de “acordo” com todo e qualquer tipo de gente. Hoje vemos nosso operário-presidente abraçado hora com Ahmadinejad, hora com Collor, hora com Sarney, com Renan Calheiros…
 
Não há limites para Lula, como não houve para Dorian Gray. O retrato para Dorian, assim como a Imprensa para Lula, impede que a cada pecado cometido haja em seguida o respectivo castigo. E no castigo há a purificação. Como não há castigo, Lula segue em sua trajetória de autodestruição.
 
Mas, então, qual a verdadeira face de Lula? Quem representa a imagem do retrato que envelhece e se deteriora?


Enquanto oposição, os feios e estúpidos do PT eram imbatíveis. Não queriam nem saber. Na dúvida, detonavam qualquer figura política que não lhes fosse simpática. E hoje, no governo, o que faz o PT?
 
É o Partido dos Trabalhadores quem sofre os desgastes das depravações ideológicas de Lula. Na verdade, Lula já destruiu o PT. Olhem nas fisionomias do Mercadante, do Suplicy, daqueles que abandonaram o partido fundando o PSOL ou seguindo para o PSTU. São seres apáticos, envergonhados, constrangidos. Olhem a UNE, transformada em chapa-branca. Olhem os sindicatos, hoje bajuladores e dependentes do governo. Lula não acabou apenas com o PT, acabou com toda a esquerda, de maneira geral.
 
Pois é! Assim como um artista, a Imprensa tem o poder de fabricar seus ídolos. Criaram um Lula acima do Bem e do Mal. Lula tem hoje o poder de salvar ou destruir a reputação de quem quer que seja. No passado destruiu a reputação de muitos. No presente salva políticos que mereceriam estar nas páginas policiais, não nas de Política. Mas será que salva mesmo? Será que Sarney, por exemplo, está sendo salvo? Ou Sarney terá o mesmo destino do PT?
 
O Partido dos Trabalhadores é o verdadeiro retrato do Lula. O PT ficou a cara do Sarney! E o Brasil ficou a cara do Maranhão!

 
E a imprensa?

 
Basil Hallward, apesar de considerar o retrato de Dorian Gray sua mais bela obra, nunca o expôs. Dizia que o retrato tinha muito de si mesmo. Lula, esse semideus criado pela Imprensa, também tem muito dela. Cuidado, B(r)asil! Dorian vai lhe enfiar uma faca na cabeça!


(Lula 2009)






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Ideologia, Religião e Impunidade

Finalmente Lula confessou oficialmente que teve conhecimento do “Mensalão”. Lula está preso? Não, nem ele nem qualquer mensaleiro do PT irá parar atrás das grades. Mensaleiro, no Brasil, só vai preso se for do DEM. Por que Lula, em vez de estar mofando numa cela fétida, lugar apropriado para quem encoberta crimes, está solto, convivendo com pessoas honestas? Porque, num passado remotíssimo, ele foi torneiro mecânico? Porque usa barba? Por ter perdido o dedo num torno?

Por que os presos políticos cubanos podem ser torturados sem que o pessoal dos Direitos Humanos no Brasil abra a boca? Por que jornalistas venezuelanos podem ser presos por discordar das maluquices do ditador Chaves sem que as associações e sindicatos de jornalistas brasileiros protestem?

Respondo eu mesmo: por ideologia! Sim, as piores impunidades ou as maiores arbitrariedades podem ser cometidas pela ideologia. Já disse aqui: nenhuma gota de sangue jamais foi derramada por aqueles que defendem o Individualismo e o ateísmo. Todas as chacinas, todos os genocídios, todas as grandes matanças foram cometidas em nome do Coletivo e das religiões.

Será a estupidez um privilégio latino-americano? Pelo contrário, em outros continentes ela pode ser até mais ousada. Joseph Ratzinger, aquele que pertenceu à Juventude Hitleriana e foi soldado na Wehrmacht no final da Segunda Guerra e agora ocupa o cargo de vice-Deus na seita Católica, aquele que na net usaria o nick de “Bento XVI”, está sendo acusado de acobertar, durante décadas, casos de pedofilia e homossexualismo praticados por padres católicos. Os britânicos Richard Dawkins – que escreveu o excelente “The God Delusion”, traduzido para o Português como “ Deus, Um Delírio” - e Christopher Hitchens estudam uma acusação formal contra o Papa na Inglaterra. Querem que ele responda por ter acobertado todas aquelas monstruosidades. Nada mais natural, não?

Sei que o Vaticano é Estado. Foi uma concessão do Fascismo à Santa (sic!) Igreja. E como chefe de Estado o Papa não poderia ser indiciado. Convenhamos, nem o mais ingênuo de nós acredita que um dia um Papa vá para a cadeia: quando a Sociedade alcançar tal nível de evolução, ao ponto de aceitar um Papa na prisão, não haverá mais Papas, nem Igrejas, nem religiões... talvez nem mais prisões.

Não quero me intrometer nos assuntos de seita nenhuma. Mas a Justiça laica não pode diferenciar as pessoas por usar barba ou batina. Cometeu ou acobertou crimes, pau (ops!) nele! Mussolini, o verdadeiro criador do Vaticano, foi executado e pendurado em praça pública como um porco. Hitler, o ex-chefe do vice-Deus, preferiu o suícidio. Qual deve ser o destino do Papa? E do Chaves? E do Lula?



Vou fazer como os nossos jornalistas que não podem criticar o PT sem antes fazer uma criticazinha à oposição. Para parecerem isentos, vocês sabem. Pra não dizerem que não falei das flores, que critiquei apenas os católicos, divirtam-se com este vídeo sobre outros religiosos:







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