Blog do Vamp

O Vampiro de Curitiba




___"Estado, chamo eu, o lugar onde todos, bons ou malvados, são bebedores de veneno; Estado, o lugar onde todos, bons ou malvados, perdem-se a si mesmos; Estado, o lugar onde o lento suicídio de todos chama-se... "vida"!" (F. Nietzsche)

Let There Be Rock!

Entendam o “Rock” do título não apenas como um gênero musical. Quero aqui utilizá-lo como toda forma de expressão, de arte, de comportamento. Usei este estilo musical, ao invés de outro qualquer, porque, na minha percepção, tem mais a ver com o valor maior da humanidade: a Liberdade. Não por acaso, entre os três valores que consagraram a época contemporânea, é a Liberdade que vem em primeiro, antes da Fraternidade e da Igualdade.

Já encheu esse papo de política. Não agüento mais ver PT e PSDB disputando para saber quem, entre eles, é o mais esquerdista. Vejo neles mais semelhanças que diferenças. Costumo dizer que o PSDB é um PT mais limpinho. Um PT de banho tomado, digamos. De barba feita, se preferirem. É óbvio que, se temos de escolher, que escolhamos o “menos pior”. Mas não tenho tanta disposição assim para defender quem quer que seja. Há quem faça isso muitíssimo melhor do que eu. E, sejamos bem sinceros, os petistas só alcançaram o Governo – não o poder, explico depois - graças à extrema incompetência dos tucanos quando no Planalto. Na oposição, conseguem ser ainda mais incompetentes.

A América Latina ainda vive nos anos 70. Ainda falamos em “Socialismo”. Ciro Gomes, da antiga ARENA e Paulo Skaf, o presidente da Fiesp, a Federação das Indústrias de São Paulo, são nossos “socialistas” mais evidentes. E olhem que o Brasil é o mais “moderno” da turma. Nossos vizinhos tentam implementar um tal de “Bolivarianismo”. Algo que já fedia a bolor em 1917. Não, não vou descer o cacete em nossos representantes políticos. Até porque eles não caíram do céu - mesmo que a maioria pareça mesmo viver no mundo da Lua. Foram eleitos, foram escolhidos por nós. E não são piores que nossos empresários, por exemplo. A maioria da classe empresarial brasileira não está nem aí para o que o PT está fazendo com a Imprensa, com a Educação ou com a saúde. Ela quer é ser parceira do Governo; quer financiar o filme sobre a vida do presidente Lula; quer bancar a campanha de políticos corruptos; quer promover o “mensalão”; quer ser escolhida para se tornar empreiteira nos governos.

Quem vier a vencer as próximas eleições, seja PT ou PSDB, vai continuar usando o Estado em benefício próprio. Para ser bem sincero, seria até um paradoxo imaginar que parasitas que vivem do trabalho alheio queiram diminuir o tamanho do Estado. Jamais vocês verão um político brasileiro falando em diminuir a absurda carga tributária. Todos eles continuarão enriquecendo banqueiros, dando esmolas aos miseráveis e esfolando a classe média. Sufocam o povo com impostos para depois lhe dar algumas gorjetas em forma de bolsa-qualquer-coisa.

Portanto, deixemos que a canalha fique com o Estado, com as Universidades, com os Sindicatos. Eu fico com o Rock, entendido daquela maneira ampla e abrangente a que me referi no primeiro parágrafo. E o poder é criado, verdadeiramente, com este “Rock”. Sim, o poder não é algo que se encontra em algum lugar, algo que se possa tomar de assalto, como pensam os cretinos. Quem cria poder é quem cria novos valores. E os valores que estão sendo criados são os do Individualismo, da Liberdade, da Meritocracia. Valores opostos aos “socialismos”. Ou alguém acha que, na Venezuela, por exemplo, é o ditador Chaves quem está criando novos valores? Não, o poder, ou melhor, os poderes estão sendo criados por aqueles estudantes que vão às ruas clamar por liberdade!

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Já que vivemos em plena década de 70, nada melhor que relembrar o Rock daquela época. “Cabeça” era ouvir Led Zeppelin, Deep Purple, Pink Floyd, etc. Mas o que curtíamos mesmo era tentar quebrar o pescoço ao som do AC/DC. Se Jimi Hendrix era o deus dos engajados, Angus Young era o demônio branquela daqueles que ouviam Rock querendo apenas... curtir Rock.


O Blog meio que de férias (Atualizado em 20/01)

Pessoal, se antes o Blog estava meio devagar era porque eu estava trabalhando, quase sem tempo para escrever. Agora é porque estou de férias. Passei sábado e domingo em Copacabana e Leme. Hoje e mais alguns dias estarei em Ipanema e Leblon.

Não, não fui assaltado nem nada. Pelo contrário, eu que tive vontade de assaltar uns gringos. Brincadeira, eu sou da paixxx!  Alô, Claudio Diet Martins, cadê você?


(Vamp, o mais carioca dos curitibanos (com suas pernas nada bronzeadas), tentando convencer Carlos Drummond de Andrade sobre o fim da Poesia)

Se ninguém me sequestrar até lá, e eu não me perder na Cidade Maravilhosa, sexta-feira volto à rotina do Blog. Enquanto isso, mandem ver nos comentários.


Atualização em 20/01 - Quarta-feira

Comunidade da Rocinha, povo guerreiro e batalhador

Muito se diz sobre a Rocinha, essa que é uma verdadeira cidade dentro da Cidade Maravilhosa. Para ver qual é a realidade daquela comunidade eu e minha polaca deixamos os malucos do Posto 9 (que loucura!), em Ipanema, e fomos conhecer de perto, ou melhor, de dentro, aquela região.

Conversei com vários moradores, todos diziam o mesmo: ninguém quer um Estado paternalista (a expressão que eles usavam é exatamente esta), mas exigem apenas educação de qualidade para seus filhos poderem competir com os filhos dos moradores do asfalto de maneira menos desigual.

Entre os fatos que mais me chamaram a atenção está o de que a maioria dos moradores é branca, vinda dos estados do nordeste do Brasil. Há, dentro da favela, três agências bancárias, um comércio vigoroso, três Igrejas Católicas e mais de vinte protestantes (sete igrejas evangélicas para cada católica).

Vale ressaltar que inúmeras benfeitorias estão sendo realizadas pelo Governo Federal através do PAC. São obras que têm o reconhecimento dos moradores.

Abaixo algumas fotos tiradas por mim e pela polaca lá de dentro do morro, de cima da laje da casa de um morador:






(Polaca do Vamp num dos inúmeros becos que levam à Rocinha)


(Vamp e a vista da cidade de cima da laje de uma residência da Rocinha)



O Vampiro de Curitiba


Direitos Humanos E Humanos Nem Tão Direitos

Falta pouco para acabar o governo lulo-petista. Mas eles ainda têm tempo pra fazer muita merda. Querem fazer na saída tudo o que não tiveram coragem de fazer na entrada. Sim, me refiro ao tal de Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH). Não vou entrar no mérito de todas aquelas questões, até porque o Governo já amarelou, já mandou os blogs chapas-brancas avisarem que não é bem assim, aquele papo de sempre.

E aqui quero fazer um parêntese para falar destes blogueiros: eles não têm idéias próprias, mudam-nas conforme a ordem do governo de plantão. Tem uns que eram radicalmente contra o que chamavam de “privataria do Governo FHC”. Hoje, como recebem patrocínio da Vale, consideram esta empresa privatizada o modelo de boa gestão. Tem outro que chegou a pedir o impeachment do Lula. Orientou aquele delegado maluco da PF a escrever uma carta denunciando o presidente. A carta foi enviada, acreditem!, a ninguém menos que o presidente dos Estados Unidos da América. Isso mesmo, ao próprio presidente Barack Obama. Hoje o sujeito tem seu blog patrocinado pela Caixa Econômica Federal. Ou seja, nós pagamos com o nosso dinheiro o preço da chantagem feita pelo “jornalismo de serviços”.

Como disse, não vou analisar todo aquele amontoado de lulices de que trata o PNDH, mas tem uma questão lá elencada que quero comentar. E é justamente uma das poucas questões relevantes e com a qual concordo: aquela que se refere ao uso de símbolos religiosos em repartições públicas. Os esquerdistas, por motivos errados, abraçaram uma causa correta. Eu sei, eles querem retirar estes símbolos religiosos - na prática cristãos- das repartições públicas tendo como objetivo o enfraquecimento da Igreja e o fortalecimento do Estado, adoradores que são deste deus socialista. Eu quero a retirada destes símbolos, mas objetivando justamente o contrário: o fortalecimento do Indivíduo e, conseqüentemente, o enfraquecimento do Estado. Como ateu, não admito entrar num órgão público e ter de jurar sobre uma bíblia que para mim não passa de um livro sobre lendas. Muito menos quero ver meus filhos entrando em uma sala de aula, local de aprendizado, de busca de conhecimento científico e se deparando com um homem pregado a uma cruz. Isso é um absurdo! É deprimente! Que cada um cultue suas excentricidades no aconchego de seu lar, ou em igrejas e templos, não em repartições de um Estado que se pretende laico.

Faço questão de levantar essa questão porque percebo muita gente bem intencionada confundindo as coisas. O esquerdista, marxista principalmente, não é um ateu. Ele quer substituir este deus ocidental pelo deus Estado. Eles são religiosos, acreditam na seita marxista-leninista, têm seus santos (Mao, Stalin, Fidel), seu próprio evangelho, seu demônio (o Mercado), etc. Querem substituir um Pai protetor por outro; o ateu quer seguir sem o olhar de pai algum. Eles querem fortalecer o deus Estado; o ateu quer destruí-lo.

Outro assunto que deveria estar na pauta dos direitos humanos é a questão da descriminalização, ou descriminação, como queiram, do uso de drogas. Eu era defensor da liberação apenas da maconha. Mas não dá! Não dá para ver toda hora um sujeito como o Carlos Minc me dizendo que aquilo eu posso, mas aquele outro não. Chega de o Estado decidir o que é bom ou mau para minha vida. Recuso o conceito de “ser saudável” que algum iluminado do governo de plantão quer me obrigar a seguir. Até porque essa gente de saudável não tem nada, são pessoas doentes, recalcadas, ressentidas e... chatas!

“Liberar geral, Vamp?” Liberar a droga toda! Que cada um conduza sua vida como bem entender! Que consuma ou deixe de consumir, a substância que for, por sua livre e consciente escolha, não por ter medo de ser punido pelo grande irmão. Quem quiser cheirar pó, que cheire em paz! Quem quiser queimar capim, que queime - assim como se bebe até a última gota do bendito cálice, por que não?- até a última ponta!

A essas ameaças à liberdade temos que reagir com mais liberdade, não entrando no jogo deles. Acordem, tucanos! Não basta o papelão de ter de ficar esclarecendo a toda hora que esse mostrengo fascista do PNDH não foi uma iniciativa de vocês? Vamos parar com essa palhaçada de proibir cigarro em propriedade particular. Eu bem que estou querendo parar de fumar, mas o proprietário do estabelecimento e seus clientes sabem muito bem o que é melhor para suas respectivas vidas. Cuidem das suas! Vão pastar! Queimar capim ainda não pode, mas comê-lo tá liberado!


O Vampiro de Curitiba

O Caso Casoy e o Ponto G

Não escrevi sobre o assunto por considerá-lo irrelevante, mas já que alguns leitores me pediram e já que não li em lugar algum uma análise serena e objetiva do caso, vou dar meu pitaco sobre o comentário feito pelo Boris Casoy sobre garis, que acabou vazando para a Internet e provocou a ira da Al-qaeda eletrônica.

O âncora do Jornal da Band, depois de assistir no seu próprio jornal dois catadores de papel desejando um feliz ano novo, "com muita sorte, muito dinheiro", etc., fez um comentário no intervalo comercial. Esse comentário foi jogado na net e virou objeto da patrulha ideológica dos politicamente-corretos.  Eis o motivo de tanto ódio:

"Que merda! Dois lixeiros desejando felicidades... do alto de suas vassouras... dois lixeiros... o mais baixo da escala do trabalho..." (Boris Casoy)


Sinceramente? Não encontrei nestas palavras nada de ofensivo, muito menos de preconceituoso. Garis, não são, digamos, pessoas de muita sorte, profissionalmente falando. E era de profissões que Casoy falava. Nada pessoal contra os catadores, portanto. Mas o senso comum brasileiro funciona assim: não se pode fazer críticas a determinadas classes sociais. Pode-se criticar apenas banqueiros ou a famosa "elite", seja o que for que esses idiotas entendam por "elite". Os "oprimidos" são de propriedade da esquerda, não se pode criticá-los. E vejam que o jornalista nem fez qualquer tipo de crítica, apenas achou a situação um tanto quanto surreal.

Talvez Boris Casoy devesse usar os mesmos termos que o presidente Lula utiliza para se referir ao povo. Dia desses disse que o povo "tá na merda". Em outra oportunidade comparou o povo de São Paulo a porcos. A patrulha criticou o presidente? Nada! Ou seja, afirmar que lixeiros são "o mais baixo da escala de trabalho" não pode. Tem de dizer que os lixeiros estão na merda. Aí vira herói. Toda essa repercussão apenas comprova um fato: Boris Casoy é respeitado, as pessoas se importam com o que ele diz. Já Lula não é levado a sério por mais ninguém, pode falar as asneiras que quiser, ninguém dá bola. 

Como eu disse, nem iria escrever a respeito, mas, se não escrevesse, eu não seria eu. Não se trata de defender este ou aquele, mas sim de defender a liberdade de expressão. Mesmo - e principalmente -  que essa expressão não me agrade.

Agora, o fato que me chamou a atenção mesmo foi uma reportagem do Estadão. Eu considero a maior descoberta da humanidade, observem:


Ponto G é imaginação das mulheres, diz estudo

"Estudo do King"s College, de Londres, concluiu que não há provas da existência do chamado ponto G - suposto aglomerado de terminações nervosas próximo ao clitóris que, quando estimulado, provocaria elevados níveis de excitação sexual e orgasmos. Ele foi descrito pela primeira vez pelo cientista alemão Ernst Gräfenberg, em 1950. O trabalho foi divulgado ontem pela BBC.

O estudo analisou entrevistas de 1.804 mulheres e, para os cientistas, o ponto G não passa de imaginação, "estimulada por revistas e terapias sexuais". As entrevistadas tinham entre 23 e 83 anos e eram gêmeas idênticas ou não idênticas.

Das 56% mulheres que declararam ter o ponto G, a maioria era jovem e sexualmente mais ativa do que a média. Os pesquisadores, no entanto, esperavam que, no caso de uma das mulheres relatar ter o ponto G, a probabilidade de sua irmã ter a mesma resposta seria mais alta, mas isso não ocorreu.

"Esse é o maior estudo já realizado sobre o assunto e mostra, de forma conclusiva, que a ideia do ponto G é subjetiva", afirmou Tim Spector, coautor do estudo. Para os pesquisadores, os resultados podem ajudar quem sofre por não encontrar o ponto G.

No entanto, o estudo foi considerado "falho" por Beverley Whipple, que ajudou a popularizar o conceito do ponto G nos anos 70.

A pesquisadora destacou que gêmeas normalmente não têm o mesmo parceiro e que o estudo não analisou as opiniões de lésbicas e bissexuais, que se utilizam de diferentes técnicas sexuais"

Como assim? Quer dizer que era tudo mentira? Ficamos procurando por algo que sequer existe? As mulheres que me perdoem, mas me sinto enganado. Iludido. Ludibriado. Ficamos a vida toda tentando encontrar o tal ponto G, eternamente procurando-o, esperando-o,  como alguém que espera Godot. 

Leitoras, acreditem: no caso, o que importa é a procura, não necessariamente a descoberta. Vamos, portanto, esquecer dessa matéria e continuar nossa eterna busca. Eu prometo que continuarei tentando. Neste entra-e-sai frenético o importante é o caminho que se percorre, não a chegada. A chegada, aliás, é apenas o fim.

O Vampiro de Curitiba

Dinner For One


Com tantas desgraças sempre acontecendo no mundo, gente se desentendendo - um cidadão britânico foi condenado à morte na China hoje - ou mais um “suicide bomber" (dessa vez um nigeriano , filho de banqueiros milionários) tentando explodir um avião a caminho de Detroit, os conflitos diários nas ruas de Teheran, Badgad, Kabul, Rio, Islamabad, etc., eu e o Gerald queríamos desejar a vocês um felicíssimo Ano Novo. E, pra isso, dar um pouco de alívio desses assuntos irritantes como Lula, Chavez, Ahmadinejad, política, quem está vencendo na escalada da sucessão presidencial, etc.

O Gerald mandou o link de um vídeo chamado "Dinner for One". Apesar de Inglês, com elenco e equipe inglesa, ele virou um cult total nessas últimas décadas nos países nórdicos e na Alemanha, Áustria e Suiça, onde é religiosamente visto durante o período de Natal e Ano Novo (mais precisamente durante a passagem do ano).

Todo ano é a mesma coisa: os canais estatais rodam "Dinner for One" e milhões, literalmente milhões de pessoas, assistem, pela vigésima vez,  se desdobram em gargalhadas e esquecem suas mazelas e brigas, por poucos minutos que seja. "Dinner for One" acabou virando um símbolo da paz, além de ter sido uma das maiores influências do Teatro do Absurdo ( sem ser oficialmente reconhecido como tal), do grupo Monty Python e de tantos outros gêneros de humor. Por mais estranho que pareça, Dinner for One é ignorado na Inglaterra e venerado no “continente”, onde seu título também pode ser encontrado como "The 90th Birthday", ou, em alemão, "Der 90 Geburtstag". Data de filmagem: 1963, Inglaterra.

O sketch mostra o nonagésimo aniversário de uma aristocrata inglesa, Miss Sophie, que faz um jantar imaginário para pessoas (que obviamente já morreram), como Mr. Pommeroy, Mr. Winterbottom, Sir Toby, and Admiral von Schneider , para celebrar a ocasião. James, o buttler, o mordomo, faz de conta que estão todos lá:

James: By the way, o mesmo procedimento do ano passado, Miss Sophie?

Miss Sophie: O mesmo procedimento, como todos os anos!


Nada poderia ser mais Beckettiano. Não duvido que Beckett tenha visto isso ou que eles tenham visto "Esperando Godot". Aliás, "Dinner for One" poderia ser descrito como o "Godot dos aristocratas". Divirtam-se:







FELIZ ANO NOVO PRA TODOS VOCÊS!
(o Gerald manda beijos e abraços de Londres)


O Vampiro de Curitiba

Sean Goldman Finalmente Retorna Para Sua Casa!







Finalmente acabou o pesadelo. Sean Goldman já está em seu país, com seu pai David Goldman. O Brasil não suportou a pressão internacional e teve de cumprir a lei.

O Blog do Gerald, no portal IG, foi o primeiro blog brasileiro a comentar o assunto. Já naquela época Gerald Thomas nos alertava para o absurdo que o Brasil estava cometendo em não cumprir os acordos internacionais, o Tratado de Haia, mais especificamente. 

No final deu tudo certo, a história teve um final feliz, em plena época natalina, quando os corações estão mais sensíveis. Talvez isso explique, ao menos em parte, o papelão feito por parte da Imprensa brasileira e pela avó materna de Sean, que fez críticas severas  à Justiça Brasileira. Também as faço. Mas com o sinal trocado. O erro do Judiciário foi a demora em cumprir algo tão evidente. Os recursos jurídicos servem (ou deveriam servir) para evitar injustiças, para que se eliminem as dúvidas inerentes ao processo, etc.. No caso em questão, não cabia qualquer recurso, não havia qualquer dúvida a ser dirimida: o Tratado de Haia é claro, objetivo, não deixa espaço algum para recursos ou apelações. O menino Sean deveria ter sido entregue a seu país e à sua família americana assim que sua mãe fugiu dos Estados Unidos levando ilegalmente o garoto. 

Ou o Brasil agia dessa forma, cumprindo seus acordos, ou então que dissesse claramente ao mundo que é um país que não cumpre os acordos feitos com outros países. Mas... bem, antes tarde do que nunca. Ninguém esperava mesmo nada mais de um país como o Brasil. Agora, é bom que se diga: Justiça tardia é injustiça!


Da Folha de São Paulo:

Tumulto marca entrega do menino Sean
 Vestido com uma camiseta do Brasil, menino chorava ao caminhar, em meio a fotógrafos e curiosos, até o consulado dos EUA

Entrega do garoto encerra disputa de cinco anos; porta-voz da embaixada diz que Sean sorriu ao ver o pai, o americano David Goldman


Marcelo Sayao/EFE













Sean Goldman embarca com o pai David Goldman para os EUA em um avião fretado; entrega do menino ontem foi tumultuada

DA SUCURSAL DO RIO

Às 8h40 de ontem, vinte minutos antes do prazo final dado pela Justiça, a família brasileira de Sean Goldman, 9, entregou o menino ao pai, o americano David Goldman, encerrando cinco anos de disputa pela guarda da criança no Brasil.

A entrega foi tumultuada. Cercada por repórteres, a família parou o carro a duas quadras do consulado norte-americano e foi caminhando até a entrada principal. Vestido com uma camisa do Brasil, Sean estava abraçado ao padrasto, João Paulo Lins e Silva, e chorava.
Com eles estavam também o advogado da família, Sérgio Tostes, e os avós maternos, Silvana Bianchi e Raimundo Ribeiro, e outros parentes.


A entrada tumultuada criou uma guerra de versões entre Tostes e o consulado. Segundo o advogado, não havia entrada privativa para que a família desembarcasse no consulado. A porta-voz da Embaixada Americana, Orna Blum, disse que a família poderia ter entrado pela garagem, preservando-se do assédio de jornalistas e curiosos.


Diante do choro intenso do menino, segundo Tostes, foi autorizado que a avó entregasse Sean ao pai. O advogado disse que o menino, nervoso, passou a noite com febre.


O encontro entre Silvana e David Goldman foi amistoso, segundo Tostes. A avó teria abraçado David e pedido que tomasse conta do neto. "David foi extremamente atencioso."
Segundo funcionários do consulado, foi reservada uma sala com brinquedos, lanche e o filme "O Rei Leão" para o encontro do menino com o pai.


De acordo com a porta-voz, Sean chorava muito enquanto estava com a avó, mas mudou ao ver o pai. "Para minha surpresa, ele parou de chorar e abriu um sorriso, ao entrar na sala e ver o David", relatou.


Segundo o deputado americano Christopher Smith, que veio ao Brasil acompanhar o caso, ao ver, Sean e David viajaram num avião fretado pela rede de TV americana NBC, que teria acordo de exclusividade para a cobertura do caso.


O deputado criticou Tostes por ter levado o menino pelas ruas. Ao ser questionado se o pai também não errava em expor o menino na TV, alegou que David não é rico e não teria outra forma de custear as dezenas de viagens em busca do filho.


Goldman divulgou carta dizendo que a data de ontem marcaria o renascimento de sua família.


(SAMANTHA LIMA, CIRILO JUNIOR, SERGIO TORRES E JOÃO PEQUENO)



Hillary Clinton se diz "entusiasmada"

A secretária de Estado divulgou nota em que comemora a volta de Sean para os EUA e agradece ao governo brasileiro

Assunto foi amplamente comentado em jornais e TVs; congressista e advogada de Goldman criticaram família brasileira

JANAINA LAGE
DE NOVA YORK

O governo americano comemorou ontem o retorno do menino Sean Goldman ao país, acompanhado do pai, David Goldman. A secretária de Estado, Hillary Clinton, divulgou nota em que disse estar "muito entusiasmada" porque Sean e o pai estavam a caminho de casa, em Nova Jersey, e agradeceu a cooperação do governo brasileiro no cumprimento da Convenção de Haia sobre sequestro internacional de crianças.

"Agradeço a todos que contribuíram para que este longo processo fosse concluído de forma bem sucedida, inclusive diversos membros do congresso dos EUA e pessoas que se preocuparam tanto aqui quanto no Brasil", disse.


No Twitter, o secretário-adjunto de Estado dos EUA para assuntos do Hemisfério Ocidental, Arturo Valenzuela, comentou: "Estou muito satisfeito com a volta de Sean Goldman junto com seu pai para os feriados". Goldman divulgou carta de agradecimento e afirmou que o amor dele e da família por Sean não tem limites e que eles farão o possível para protegê-lo. "Agora é tempo para um novo começo, o renascimento da nossa família em uma época do ano tão especial."


O assunto foi amplamente comentado nos jornais e na TV americana com fotos e imagens do garoto chegando ao Consulado dos EUA no Rio. Em entrevistas, o congressista Chris Smith e a advogada de David Goldman, Patrícia Apy, não pouparam críticas à família brasileira. Segundo Smith, a família recusou a oferta para entregar o garoto de forma mais discreta e fez questão de que ele andasse no meio de dezenas de fotógrafos e jornalistas.


Segundo a advogada, não há obrigação legal de visitas, mas o pai pretende agir na defesa do melhor interesse da criança.




O Vampiro de Curitiba








"Denmark Impromptu", de Gerald Thomas, na Folha e mais duas peças de Gabriel Vilella e Rubens Rusche

Revisitando Beckett Morto há 20 anos hoje, Samuel Beckett buscou teatro além da linguagem; diretores que montaram seus textos escrevem "peça imaginária" inspirada nele


Reprodução do livro "Esperando Godot" (Cosac Naify, 2005)





















Beckett dirige Karl Raddatz na montagem do Schiller Theater (Berlim) para "Esperando Godot" (1975)


LUCAS NEVES
DA REPORTAGEM LOCAL


Há 20 anos, o dramaturgo irlandês Samuel Beckett fez o silêncio emergir uma última vez. Sua morte emulou aquilo que seu teatro tinha por fixação: o vazio, o abismo rarefeito em que a linguagem é asfixiada, desfalece.
Flagrados nos estertores da vida, seus personagens ora atiram convulsivamente palavras ao vácuo, para desviar a mente dos reveses, ora assumem o ceticismo diante da narrativa oral e emudecem, despojando as máscaras sociais.
Sua produção escrita, iniciada em 1929 com um ensaio sobre James Joyce, visita a poesia, o conto, o romance, a dramaturgia e os roteiros para rádio, cinema e TV. Independentemente do formato, os textos de Beckett tornam-se cada vez mais crus, secos. Ele mina as convenções narrativas, dinamitando enredo, conflito e descrição espaço-temporal.
De costas viradas para o realismo, assina peças como "Breath", texto de cerca de 30 segundos sem personagens (consistindo num choro de bebê e num som de respiração), e "Eu Não", em que os refletores iluminam uma boca (e nada mais) a rememorar uma existência medíocre.
Antes, na década de 50, ganha notoriedade com "Esperando Godot", "Fim de Jogo", "A Última Gravação de Krapp" e, na virada para os anos 60, "Fim de Jogo". Sempre certo, como disse certa vez, de que "não podemos conhecer nem ser conhecidos".
Na contracapa deste caderno, três diretores familiarizados com os becos sem saída de Beckett dão o mapa da peça que ele nunca escreveu.

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São Paulo, terça feira, 22 de dezembro de 2009







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Trio de diretores "encarna" BeckettInspirados por temas recorrentes do irlandês, Gerald Thomas, Gabriel Villela e Rubens Rusche fazem peça imaginária 


OS DIRETORES convidados pela Folha para coassinar uma peça que retomasse questões centrais do teatro beckettiano têm intimidade com o universo do dramaturgo. Gerald Thomas adaptou a prosa do irlandês em espetáculos como "All Strange Away" e "Ill Seen Ill Said", na Nova York dos anos 80. Também dirigiu montagens de "Esperando Godot" e "Fim de Jogo", além de conhecer Beckett em Paris, nos anos 80. Gabriel Villela comandou em 2006 uma encenação de "Esperando Godot". Já Rubens Rusche fez "Katastrophè" (1986), "Fim de Jogo" (1996) e "Crepúsculo" (2007), entre outros. (LUCAS NEVES)



DENMARK IMPROMPTU 


Uma peça imaginária
CENA 1 
Por Gerald Thomas
(A e B, dois filósofos "verdes", irlandeses, sentados numa conferência mundial, dispostos a salvar o mundo. Líderes mundiais discursam inutilidades. O diálogo abaixo acontece enquanto Tony Blair justifica, sorrindo, sua "invasão" do Iraque, com ou sem "weapons of mass destruction".
A- A imaginação não dava quando dava, quilos de queijo, quilos de porcos, quilos de manteiga, e eu caminhava e rastejava uns bons bocejos quando....
(B bate mão na mesa, interrompe)
B- Quando uma face na multidão surgiu e deu-lhe um Berluscão na boca e no nariz.
A- Sangrou?
B- Pouco.
A- Hmm.
A- Não o quanto deveria.
B- Hmmm.
A- Deveria ter escorrido rios. Já que Lindsay Kemp, na Toscana dos céus divinos, via atentamente, sentado, meditando sobre a palavra ausente... a mente ausente e o gesto presente... Berluscar! O ato de Berluscar. Mão direita no nariz e na boca PUM, e PIM e PAM, e a "g-o-t-a" de s-a-n-g-u-e!
B- Nada sabem sobre o balé das gerações ou sobre o triste fim das interpretações do fim ou o FIM.
A- Nada sabem de mais nada. Agora só sabem de tudo.
B- O chocolate derretendo aqui em Copenhague dois centímetros a cada década.
A- Para ser preciso, dois centímetros e três milímetros de chocolate derretendo a cada década em Copenhague, digo, as barras do mundo e a supremacia dos países e a imaginação morta imaginando-se capaz de incubar icebergs, e cubos imaginando-se ao quadrado.
B- Em Fermanagh, até ainda...
A- Chocolate?
B- Sim, mas rouba-se da Páscoa até o Natal, quando nasci/ morri e me imaginei na faixa de pedestre em Hampstead, onde o Alan foi morto por um ciclista. Cinza esse dia.
A- Foxrock nada tem e nada foi, a não ser a mão de meu pai, mesmo que o...
B- ...O "socoBerlusco" faça com que Pozzo segure a corda de todos os escravos do mundo.
A- "Taramosalata" que foi só o que os gregos nos deram e foi somente isso mesmo, somente só, nesse mundo só, onde somente estamos sós, uma breve passagem só, passando pelos hema-Thomas e outras feridas e furúnculos da pus ao pós, até o fim, só.
A- Aquela alemã hoje não sabe mais distinguir o pão de um tijolo ou tijolo da areia, ou a areia de um montinho de terra. Cinza.
B- Nada como ver essa tragédia de derretimento como a camada de choco-ozônio de CO2. Caminhando como estamos, sós, rastejando como vamos, iremos para o Dante escuro, nenhuma luz, nenhuma única luz, nem em diâmetro, nem em largura, somente a espessura do soco Berlusco poderá nos dizer no futuro o quão grotesco fomos aqui neste, durante este...
A- (bate, interrompe)


CENA 2 
Por Gabriel Villela
(A e B agora juntam-se a C, D, E, F, G, H, I e J. Observam a entrada do Sr. KdeKing. Ele representa a entidade CongoOng. Coloca uma caixa de ébano sobre a mesa. Os conferencistas observam. De dentro dela, da caixa preta, e embrulhadas em papel de seda, destes que embrulham maçãs, saem duas mãos de gorila, que iniciam uma percussão. Ponto de Iansã.)
Cai a luz.


A videoconferência
No telão gigante, imagens ao vivo de um gorila agonizante amarrado a uma maca da Cruz Vermelha (close em seus olhos lacrimosos, depois somente a imagem de sua boca). Nota-se que faltam-lhe alguns dentes. Ele fala muito baixo, com dificuldade respiratória. De vez em quando, ele tenta erguer os braços de onde foram decepadas suas mãos.



Gorila (sussurrando)-IKÚUUUUUUUUUUUUUU-UUUUUUUUUUUUUUUUU-UUUUUUUUUUUUUUUUUU-
urrrrrrrmahhhh,rooooouhuuuuummmurrrrrrrrr-
rrrrrrrrrrrimahhhhharrrrrrkrafuuuuurhrrrrrrhuuuuuuu-
uuAiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiqhee-doorrrrrrr!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!ahahahahaahaha-
hahaahahahahahahahah,uhrhuruhrrhurmm-
mmmmmmmOLOROGUMOGUMO GUMMMMMMMM
Tradutora cor de rosa- Ele está dizendo que dói muito e pergunta se alguém aqui tem morfina para lhe dar. (quebrando a educação e gritando com as mãos do gorila) Dá pra parar um pouco? (as mãos continuam o ponto de Iansã. Homens verdes, involuntariamente, começam uma percussão com a boca, batendo e rangendo os dentes)


A morte do gorila
Gorila (fazendo termo)-ARÚMMMMMMMMMMMM-
MARÚMMMMMMMMMM-MMMARÚMMMM MMMM-MMMMM-YEWÁ!!!!!!!vmphlufannnnnnhhhhhhhhhhhhrossssss,
ahhhhahhhhhhhaaiahhhhahahahahhhohrrohoooooohhhhorrrrrrrooo
-ô-ooodooor!!!!!!!!!!!!!!.Uuuuu!
Tradutora (em voz já mais controlada)- Senhor macaco, de acordo com as regras da conferência, o senhor tem mais 28 segundos para encerrar seu discurso. (atacada do sistema nervoso, ela berra) Alguém aí da organização pode controlar estas patas?! CARRRRALHO!!!!!!!
(o gorila agora tampa os olhos com seus braços cortados, abre a boca, tenta pronunciar um nome... um silêncio de morte)
Gorila-Ikúúú.................. ...................................
Hans Christian...an-an-nder-sen! (morre)
(O par de mãos aplaude freneticamente durante os sete segundos restantes. Muita luz sobre os homens verdes.)


CENA 3 
Por Rubens Rusche
(Forte explosão. Escuridão. Longuíssima pausa. Silêncio absoluto. Gradualmente, a luz retorna, mas muito fraca. Poeira e ruínas. Tudo cinza. Ninguém. Longa pausa. Voz em "off" de um homem muito velho, moribundo. Ritmo sempre lento, voz muito baixa, no limite do inaudível.)


Voz
Loucura.

(Pausa)
Tudo isso.
(Pausa)
Loucura.
(Pausa)
Tudo isso aqui.
(Pausa)
Ter visto tudo isso aqui.
(Pausa)
E ouvido.
(Pausa)
Ter ouvido tudo isso aqui.
(Pausa)
Loucura.
(Pausa)
Visto, não. Entrevisto. Toda essa loucura. Mal visto e mal ouvido.
(Longa pausa)
Tudo acabado agora.
(Pausa)
Explodido.
(Pausa)
Só restaram ruínas.
(Pausa)
Cinzas.
(Pausa)
Mas o sol -
(Pausa)
Não tendo outra alternativa, o sol brilhou sobre o nada de novo.
(Longa pausa)
Loucura.
(Aos poucos, nas ruínas e no meio da poeira, surge um crânio. Gradualmente, a luz vai se extinguindo, até restar apenas um foco no crânio. Longa pausa. Silêncio. Foco se extinguindo ao som de uma longa expiração. Cinco segundos. Escuridão e silêncio absolutos.)